"A Mulher e a Doença Renal - Incluir, Valorizar, Capacitar"

12/03/2018 - 15h51

Desde 2006, comemora-se anualmente o Dia Mundial do Rim na segunda quinta feira do mês de março. Neste ano a data coincidiu com o Dia Internacional da Mulher e nada mais justo falar em doença renal na mulher tendo em vista que a Doença Renal Crônica (DRC) ser um grande problema de saúde pública mundial. A doença renal crônica caracteriza-se por doença tipicamente assintomática com perda progressiva da função renal levando em sua fase terminal à necessidade de terapia de substituição renal (hemodiálise / dialise peritoneal) ou transplante renal.

A DRC afeta cerca de 195 milhões de mulheres no mundo, sendo responsável por aproximadamente 600mil mortes/ano, é a 8⁰causa de morte entre as mulheres e apresenta maior prevalência no sexo feminino (14%mulhres x 12% homens).

Segundo dados mundiais o número de mulheres em hemodiálise é menor que o número de homens e isto deve-se a alguns fatores como evolução mais lenta da doença em mulheres, barreiras psico-socioeconômicas (menor consciência da doença, levam ao início ou à ausência de diálise entre as mulheres) e acesso desigual aos cuidados de saúde sendo este um importante problema em países sem acesso universal aos cuidados de saúde. O acesso ao transplante de rim também é distribuído de forma desigual e isto deve-se a aspectos sociais, culturais e psicológicos; as mulheres tendem mais a doar rins e são menos propensas a recebê-los.

O Lúpus Eritematoso Sistêmico, doença de cunho imunológico, que pode evoluir com nefropatia lúpica e infecções do sistema urinário (cistite /pielonefrite) estão entre as causas principais de perda crônica de função renal entre as mulheres. A paciente lúpica deve fazer monitoramento e acompanhamento médico regular no sentido de detectar precocemente a nefropatia lúpica. Presença de sangue e/ou proteína no exame comum de urina e elevação de creatinina podem ser os únicos indícios precoces de dano renal. 

Diz-se que pelo menos 7 em 10 mulheres terão infecção do trato urinário pelo menos uma vez ao longo da vida. A preocupação reside nos casos de mulheres que apresentam recorrência de processos infecciosos, sendo a pielonefrite mais grave pois o comprometimento infeccioso dá-se diretamente no tecido renal. Não menos importante são os casos de cistite, ou seja, infecção do trato urinário baixo. A recorrência de processos infecciosos pode levar a dano renal grave tanto quanto a infecção que compromete diretamente o rim. Mulheres que apresentam 2 infecções em 6 meses ou 3 episódios ao ano merecem e devem ser devidamente avaliadas e manejadas, sendo nestes casos fundamental orientação médica especializada.

A DRC é importante fator de infertilidade entre as mulheres crônicas renais e quando a gravidez ocorre o desfecho desfavorável é frequente, tanto para a mãe quanto para o feto. Transtornos hipertensivos e prematuridade são problemas comuns enfrentados pelas gestantes renais.

Vale ressaltar que mulheres previamente sadias podem apresentar complicações próprias da gravidez e que evoluem com dano renal agudo (insuficiência renal aguda). A eclâmpsia (hipertensão arterial, presença de proteína na urina), aborto séptico e hemorragia pós-parto estão entre as principais complicações.

Por todos os fatores antes mencionados, a doença renal na mulher deve ser cuidadosamente acompanhada. A conscientização associada ao diagnóstico precoce e manejo adequado podem salvar vidas.

Fonte: Sociedade Brasileira de Nefrologia - World Kidney Day

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  • por
  • Jornal Regional
  • FONTE
  • Dra. Katia R. T. Bugs - Nefrologia / Clínica Médica - CRM 10.375 / RQE 5333



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