ESPECIAL: Os 10 dias de paralisação dos caminhoneiros que mudaram a rotina do Brasil

Postos vazios virou rotina durante a paralisação dos caminhoneiros

Postos vazios virou rotina durante a paralisação dos caminhoneiros

02/06/2018 - 09h25

A promessa de uma greve nacional de caminhoneiros foi anunciada no domingo, 20 de maio. A partir das 6h da manhã de segunda-feira, motoristas autônomos e contratados por transportadoras de todo o país desligariam os motores e cruzariam os braços. A promessa virou realidade no dia 21 de maio e praticamente parou o país por 10 dias.

A principal reivindicação era a diminuição do preço do diesel, alvo constante de reajuste da Petrobras. O movimento foi convocado pela Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) e ganhou rápida adesão de caminhoneiros nos quatro cantos do país. A paralisação causou desabastecimento de combustível e alimentos em diversas cidades. Afetou ao transporte público, aulas e fechou aeroportos. 

Em São Miguel do Oeste, uma das bases do movimento, a greve iniciou bastante tímida. A orientação dos coordenadores, era de não armar bloqueios e nem obrigar os motoristas a encostarem seus caminhões. A adesão aos protestos tinha que ser por vontade dos  próprios caminhoneiros. Aos poucos o número de caminhões parado foi crescendo.

A população, porém, em momento algum abraçou a causa. Nos dias de carreatas e passeatas, a presença popular foi bastante baixa. A adesão não cresceu nem mesmo quando a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) fez a convocação. Nem o fato de ser realizada num sábado, sensibilizou os migueloestinos. Na quarta-feira desta semana, portanto no dia anterior ao término do movimento, ocorreu uma nova tentativa de mobilização. O número de manifestantes solidários aos caminhoneiros cresceu, mas mesmo assim ficou bem abaixo das expectativas.

Essa baixa adesão rendeu severas críticas do caminhoneiro Amaurí Bertochi, coordenador do movimento em São Miguel do Oeste. Ao mesmo tempo em que lamentou o fato, ele, em tom de desabafo, afirmou que a greve não era só para beneficiar os transportadores autônomos, mas sim toda a população brasileira.

Com o acordo firmado entre o governo e as lideranças dos caminhoneiros, após várias rodadas de negociação, na quinta-feira (31) foi anunciado o fim da greve. Em termos concretos pouca coisa aconteceu. Até mesmo os benefícios anunciados para os caminhoneiros são temporários. De certeza restou alguns ensinamentos. O maior deles é de que o governo precisa respeitar mais o povo e ouvir o clamor que vem das ruas.


  • por
  • Jornal Regional
  • FONTE
  • CP/Jornal Regional



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