Heróis tombados em tragédia na BR 282, em Descanso, são eternizados
Monumento foi erguido no quartel dos bombeiros em São Miguel do Oeste para homenagear os homens que perderam a vida em duplo acidente

Foto e texto de Camila Pompeo

Foto e texto de Camila Pompeo

10/10/2018 - 09h04

O relógio marcava 10h20 no quartel do Corpo de Bombeiros em São Miguel do Oeste quando pôde-se ouvir o alarme sinalizando ocorrência em andamento. "Alerta para acidente de trânsito", diz o aviso transmitido pelo alto-falante. Em poucos segundos, as viaturas são ocupadas e por alguns instantes as sirenes podem ser ouvidas à longa distância.

A introdução desta reportagem narra o início da solenidade desta terça-feira (9), que homenageou os bombeiros, policiais e socorristas do Samu mortos há 11 anos no duplo acidente da BR-282, em Descanso, mas poderia ser facilmente confundida com os momentos vividos por eles na mesma data, em 2007, quando se preparavam para atender à ocorrência.

O estampido do alarme daquela noite pôs os militares em alerta e, como residiam próximo ao quartel, o cabo Roberto Inácio Borgheti e o soldado Carlos Roberto Françozi foram acionados. Os bombeiros prontamente foram até o quartel e se prepararam para aquela que seria a última missão dos dois. No deslocamento à ocorrência, dividiram a viatura com o então soldado Ludwig que, posterior à tragédia, eternizou os últimos momentos em um relato comovente: 

“Eu não fazia ideia, mas seria a última ocorrência em que trabalharíamos juntos. Durante o deslocamento, o cabo Borghetti ainda teve tempo de pegar no meu pé, por estar deslocando para a ocorrência sem gandola. Ele, bizurado como sempre, trouxe duas de casa e me emprestou a reserva, quando fiz questão de pedir para que ele não esquecesse de me pedir de volta depois da ocorrência. Mesmo apreensivos pelo que encontraríamos na ocorrência, aquilo foi motivo para um as boas risadas” / Relato do bombeiro Ludwig.

Um trecho da mensagem escrita pelo sargento Ludwig ganhou vida na voz do major Marco Antônio Eidt na solenidade desta manhã e recordou detalhes da noite de 9 de outubro de 2007. Uma salva de tiros executados por cadetes do Corpo de Bombeiros emocionou. 

Ao todo, a tragédia retirou 27 pessoas do convívio de seus familiares, entre eles o policial militar que trabalhava em Maravilha, Ilvânio Marcos Sehnem, o bombeiro de Maravilha, Evandro Daltoé, e os bombeiros de São Miguel do Oeste Carlos Roberto Françozi, Leonir Francisco Bagatini, Élio Moss e Roberto Inácio Borgheti.

Para homenageá-los, nada melhor que eternizá-los. Para eternizá-los, nada melhor que as mãos de um artista. Neuri Reolon, de Descanso, foi quem recebeu a missão e, com a sensibilidade típica de artista, conseguiu pôr em prática um memorial de arrancar lágrimas. Na data que marca os 11 anos da tragédia, o “Monumento aos heróis tombados em combate” foi inaugurado por familiares, colegas e amigos dos militares e autoridades da região.

Com quatro metros de altura, as sete esculturas de concreto foram instaladas em frente ao 12º Batalhão de Bombeiros Militar de São Miguel do Oeste, marcando a gratidão ao trabalho dos incansáveis guerreiros. Uma das esculturas é de um anjo de braços abertos, as demais simbolizam os heróis tombados em serviço. 

O memorial recebeu uma placa com a descrição dos nomes das demais vítimas do acidente. Representantes da PM e do Corpo de Bombeiros foram incumbidos do descerramento e para os familiares dos militares ficou a missão de fixar ao mármore as plaquetas com os nomes de seus entes queridos. Um a um, os nomes foram imortalizados. Para casa, as famílias levaram uma réplica em miniatura do memorial e a saudade que ainda insiste em se fazer presente. 

“Foram perdas sentidas por toda a comunidade de Santa Catarina. Ainda hoje conversamos com nossos colegas sobre o acidente, sentindo a dor da ausência desses bravos bombeiros, todos exemplos de caráter e de amor à profissão. O que com certeza se aplica também aos nossos colegas do Samu e da Polícia Militar”, finaliza o relato do sargento Ludwig. 

SOBRE O ACIDENTE

A tragédia de 9 de outubro de 2007 ocorreu nas proximidades da ponte sobre o Rio das Antas. A primeira colisão foi por volta das 19h15, quando houve um grave acidente entre um ônibus da WR Tur, de São José do Cedro, e uma carreta de Frederico Westphalen (RS), que provocou a morte dos dois condutores, da esposa e dois filhos de um deles, e de outras seis pessoas. 

Duas horas mais tarde, aproximadamente, enquanto bombeiros, policiais militares e populares prestavam socorro às vítimas, uma carreta carregada de açúcar perdeu o freio e acabou atingindo os veículos parados na rodovia. O caminhão desgovernado, conduzido por Rosinei Ferrari, desceu a serra e atingiu todos, vitimando 16 pessoas e causando uma das maiores tragédias no trânsito de Santa Catarina.


  • por
  • Jornal Regional
  • FONTE
  • WH3



DEIXE UM COMENTÁRIO

Facebook

SIGA-NOS