Messi congela, Argentina esbarra em muralha de gelo e tropeça na Islândia

16/06/2018 - 12h47

Nem o calor humano da torcida, nem o poder de fogo de um dos melhores do mundo. A Argentina não conseguiu superar o iceberg defensivo da Islândia e tropeçou na estreia na Copa do Mundo. A sensação europeia congelou Messi, que perdeu pênalti, e debutou em Mundiais com o empate por 1 a 1 com a bicampeã. Agüero abriu o placar, mas Finnbogason empatou logo depois em partida válida pelo Grupo D, neste sábado, no Spartak, em Moscou.

PRIMEIRO TEMPO

Praticamente 45 minutos secando gelo. A Argentina teve o apoio da torcida, quase 80% de posse de bola, um dos melhores do mundo ao seu lado, mas batia e voltava na muralha branca da Islândia. A zebra na Euro realmente não aconteceu à toa. Com dois volantes e um Mascherano plantado, a Argentina dava profundidade com Salvio e Tagliafico em parceria com Meza e Di María. As duas primeiras chances, porém, saíram de Messi, que conseguiu se desvencilhar da marcação dobrada e obrigar o goleiro a fazer boas defesas. Aos 19, chute errado de Di Maria encontrou Agüero na área. Rara chance que o atacante não desperdiçou: 1 a 0. Já aos 23, os homens de gelo viram espaços nas laterais, cruzaram a bola de um lado para o outro, até que Cabellero deu rebote para Finnbogason empatar.

SEGUNDO TEMPO

O ferrolho islandês voltou ainda mais apertado no segundo tempo. Com raras escapadas comandadas por Sigurdsson, a missão era se fechar. Com Banega no lugar de Biglia, Messi ganhou companhia no meio e entrou no jogo. Foi quando descolou lindo passe para Meza sofrer pênalti. Festa no Spartak encerrada por Halldorsson. Messi telegrafou a batida chapada no canto direito e parou no goleiro. O lance não abalou o craque, que passou a chamar a responsabilidade. Mas sempre que driblava um, dois, tinha um terceiro lá para atrapalhar. Chutes perigosos, faltas na entrada da área. Messi tentou de tudo. Sampaoli também arriscou. Colocou Pavón, Higuaín, e deixou o time com cinco atacantes. Nada que derretesse a muralha gelada.

CENTRO DAS ATENÇÕES

Como se não bastasse toda festa que a torcida da Argentina fez em Moscou desde o início da tarde, faltando minutos para bola rolar, já após o hino, uma explosão. No setor de camarotes surgiu Diego Armando Maradona. A massa se virou para ovacionar seu ídolo máximo e cantar que é melhor que Pelé. Tentativas de contato, fotos e carinho continuaram durante os 90 minutos para um Diego entusiasmado.

INVASÃO CELESTE

O estádio vermelho do Spartak ficou branco e celeste, com pequenas manchas do azul escuro da Islândia. A torcida da Argentina invadiu Moscou e demonstrou todo fanatismo por sua seleção. Bandeiras com o rosto de Messi dividiam espaços com camisas com seu nome. A já tradicional cantoria fez eco dentro e fora do palco da partida, com direito a novo hit que diz: “Vamos, Argentina. Sabe que eu te quero. Hoje tem que ganhar e ser o primeiro. Essa torcida louca, que dá tudo pela Copa. A que tem Messi e Maradona”.

FICOU DEVENDO

Messi não se escondeu do jogo, foi caçado durante os 90 minutos, apostou em jogadas individuais no segundo tempo, mas não conseguiu ser decisivo. No dia seguinte a Cristiano Ronaldo chamar para si os holofotes, o craque argentino teve a bola do jogo nos pés e parou de Halldorson em cobrança de pênalti. Agora, a pressão para que faça a diferença é ainda maior contra Croácia e Nigéria. Messi sabe disso. O jogo, por sinal, acabou com a bola em seus pés, quando, irritado, deu um chutão para o alto.

HOMEM DO JOGO

Hannes Halldórsson viveu a tarde de sua vida. Aos 34 anos, o goleiro do Randers, da Dinamarca, não foi páreo para Lionel Messi. E olha que o duelo foi longo. O argentino finalizou 11 vezes durante o jogo, três na direção do gol, entre eles um pênalti, e parou na muralha de gelo. Paredãosson!


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  • Jornal Regional



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