Queda no preço do suíno e aumento no valor da ração afetam produtores catarinenses

14/03/2018 - 14h06

A queda no preço da carne suína tem afetado os produtores catarinenses, assim como o fato de a ração para os animais ter sofrido aumento. O valor do suíno caiu aproximadamente R$ 0,20 no último mês, e os novos pedidos começaram a diminuir.

“Os preços pelo suíno começaram a baixar, né? Então já se ligava o sinal de alerta porque a gente estava trabalhando com uma margem muito pequena. E, para completar nesses últimos dias aí teve mudança também no custo dos insumos”, disse Oraldi Martelli, produtor independente em Concórdia, no Oeste catarinense.

O custo médio de produção de suíno para o produtor independente está em torno de R$ 3,30. O de comercialização, R$ 3,10. Usando como exemplo um animal de aproximadamente 100 quilos, o prejuízo é de R$ 20 por cada um que é entregue.

Os produtores acreditam que a queda no preço é consequência do embargo russo. Nos últimos três meses, sete mil toneladas de carne suína deixaram de ser exportadas. Sem mercado no exterior, essa carne acabou sendo vendida mais barata no mercado nacional.

Para Ricardo Gouveia, diretor do Sindicarne (Sindicato das Indústrias de Carne e Derivados de Estado), não tem solução imediata.

“As empresas têm uma programação, o suíno vem de uma programação. O que está sendo abatido hoje foi planejado, programado no ano passado. Então não tem muita flexibilidade para você trabalhar tanto essa questão. O que está se buscando, como estamos buscando, é ampliar o mercado da China e outros mercados”.

Em janeiro, a China se tornou o maior comprador externo da carne suína catarinense, importando mais do que o dobro do que em dezembro do ano passado.

“O mercado da China sem dúvida é muito importante para o Brasil, principalmente para Santa Catarina. Temos um volume grande de exportação já hoje, mas lógico que a Rússia é o maior importador nosso, maior comprador de carne do Brasil. Sem a Rússia, com a suspensão da Rússia, tem um impacto extremamente negativo pro comércio, pra exportação brasileira”, disse o sindicalista.

As negociações com a Rússia para reabertura das exportações continuam, mas a solução a longo prazo depende da abertura de novos mercados, diz o secretário de Estado da Agricultura, Moacir Sopelsa.

“Nós temos que trabalhar para não ficarmos sempre na dependência de um ou de dois países só. Temos que manter esse mercado com a Rússia, não tenha dúvida nenhuma, até aumentar esse volume de negócios com a Rússia, mas nós temos sim que olhar para a China como um grande potencial de compra de carne suína, o Japão como um grande potencial de compra de carne suína, a Coréia como um grande potencial de compra de carne suína. Eles são grandes consumidores“, declarou.


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  • Jornal Regional



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