Cresce adesão ao protesto contra a grave situação da BR 163, em SC
Através de atos públicos marcados para segunda-feira (16), às 17 horas, em São Miguel do Oeste e São José do Cedro, milhares de pessoas vão às ruas para cobrar urgentes providências

Foto Silva Toldo Ruschel

Foto Silva Toldo Ruschel

13/12/2019 - 15h04

Cansado do descaso dos governos e da classe política com a grave situação em que se encontra a BR 163, principal rodovia de ligação do RS ao PR, via território catarinense, o Extremo Oeste programou para a próxima segunda-feira (16), às 17 horas, dois atos públicos, um no trevo da BR 282, em São Miguel do Oeste, e outro no trevo da BR 163, em São José do Cedro. Nessas manifestações a região vai subir o tom das cobranças por melhorias urgentes na rodovia, um dos principais corredores turísticos e de escoamento da produção da faixa de fronteira de Santa Catarina com a Argentina.

O trecho de aproximadamente 70 quilômetros está em péssimas condições. Em função das más condições da BR 163, o Extremo Oeste já contabiliza inúmeras tragédias. E a quantidade de mortos e feridos é assustador e só faz subir as estatísticas. A rodovia, construída na década de 1980, é uma das mais movimentadas da região.

Rodar pela BR 163 virou um grande desafio para as pessoas que precisam se deslocar para o trabalho e para os turistas dos países do Mercosul que passam pela região em direção às praias catarinenses. O drama cresce na medida em que a rodovia, além dos buracos que já se transformaram em verdadeiras crateras, tem pouca sinalização e praticamente não existe acostamento. O perigo é eminente e os riscos de acidentes são cada vez maiores.

Obra abandona

Em 2013 foi assinado um contrato com a empresa Sulcatarinense para reforma na rodovia, no valor de R$ 110 milhões. A obra que tinha previsão para ser concluída em 2015 foi abandonada pela empresa, com menos de 40% executados.

Depois de anos de impasse, em 2018 foi rescindido o contrato com a empresa Sulcatarinense, que recentemente foi condenada pela Justiça Federal, por danos materiais e danos morais coletivos pelo abandono da obra. Pelos danos morais, foi condenada a pagar R$ 15 milhões. Já o valor dos danos materiais ainda precisa ser apurado pelo DNIT em conjunto com o Ministério Público Federal.

Nova licitação

No decorrer do exercício de 2019, a empresa Terraplenagem, Obras Rodoviárias e Construções (TORC) venceu a licitação para a execução das obras de revitalização da BR 163. O valor saltou de R$ 110 milhões – pelo qual a Sulcatarinense deveria executar a obra - para R$ 210 milhões. Outra mudança definida, é que a execução da pavimentação da rodovia será em concreto, que trará maior durabilidade e menor custo de manutenção. A previsão é da utilização de placas de concreto de 22cm de espessura.

Faltam recursos financeiros

Até aí está tudo certo. O problema é que o processo esbarra na falta de recursos financeiros. Falta dinheiro até para elaboração do novo projeto, cujo custo está orçado em R$ 6 milhões. Mas apenas R$ 900 mil estão alocados para esta etapa. Segundo o DNIT, o contrato com a empresa prevê que a TORC tem seis meses para a elaboração do projeto. Com isso, a expectativa é que ele seja finalizado até o mês de fevereiro. O repasse dos recursos do projeto, segundo o órgão, ocorrerá somente após a apresentação e aprovação do novo projeto pelo DNIT.

No entanto, não há informações concretas sobre a previsão de recursos para a obra no orçamento da União para 2020. Isto é, a novela em que se transformou a revitalização da BR 163 vai continuar.

Comércio e indústria solidários

É justamente por causa desse descaso, que surgiu o movimento, que não envolve políticos e é coordenado por clubes de serviços e entidades organizadas. “É um movimento muito grande e que na segunda deve reunir milhares de pessoas de toda a região”, destaca Evandro Rech, da comissão organizadora. “Será um movimento pacifico na rodovia, mas os motoristas que quiserem parar e se juntar a nós, será muito importante”, acrescentou.

Solidários ao protesto, o comércio e a indústria de São Miguel do Oeste vão antecipar o encerramento do expediente na segunda, para permitir que seus funcionários possam engrossar os gritos de socorro pela BR 163.

Cruzes e faixas pretas

No sábado (07), os membros da organização do protesto fizeram a colocação de mil cruzes com faixas pretas, sinalizando os acidentes e as mortes registradas no trecho, além de cartazes e faixas de protesto, com os dizeres: “SOS BR-163” e “Sem asfalto, sem voto”. A imprensa dá publicidade ao evento e outdoors colocados em vários pontos da região também chamam a população para o protesto.

Abaixo-assinado

Paralelamente um abaixo-assinado está em andamento nas redes sociais e o objetivo é coletar o maior número de assinaturas possível para mostrar a indignação da região com as péssimas condições da rodovia e a falta de recursos para a obra de revitalização. “Estamos buscando uma audiência com o ministro da Infraestrutura, para entregar em mãos o abaixo-assinado e as fotos da situação da rodovia”, informou Evandro Rech.

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