Falta a Guedes informações sobre o sistema “S”, dizem líderes de SC

19/12/2018 - 09h09

O novo governo ainda nem assumiu e já assusta boa parte do setor privado brasileiro ao anunciar determinados planos. Um deles é a intenção do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, de cortar recursos do Sistema S. Ele disse nesta segunda-feira, na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) que “tem que meter a faca no Sistema S”, tirando 30% do que é bem administrado e 50% do que é mal administrado.

A declaração provocou reação dos líderes das federações empresariais que comandam o Sistema “S” em Santa Catarina. Para eles, falta a Guedes conhecimento sobre o que o sistema faz nas áreas de educação e saúde para os trabalhadores.

No Estado, que é o melhor do país na geração de empregos e distribuição de renda, os “Ss” fazem a diferença na indústria, comércio, serviços, agropecuária, transporte e empreendedorismo.

Na avaliação do presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Mario Cezar de Aguiar, as declarações do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, mostram que ele não conhece em profundidade o trabalho de preparação da força de trabalho e de promoção da saúde realizado pelo Senai e pelo Sesi.

– Os dados revelam que somos eficientes no uso dos recursos repassados pela indústria. No caso do Senai/SC, 72% são aplicados na oferta de cursos gratuitos. E o índice de empregabilidade de quem cursa Senai é de 86%, o que é um atestado de qualidade dado pelo mercado – destaca.

Aguiar também faz comparação com outros custos do mercado. Enquanto um aluno do Sesi/SC custa R$ 5,4 mil por ano, na educação básica pública custa no Brasil, em média, R$ 11,7 mil. O custo em curso profissionalizante do Senai no Estado sai R$ 5 mil por aluno/ano, enquanto outros cursos com o mesmo perfil custam R$ 16,9 mil no setor público. Somente em SC, o Sesi e o Senai atenderam este ano 500,7 mil trabalhadores, o que representa 68% dos 733 mil empregados da indústria no Estado.

Para o presidente da Federação das Empresas de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-SC), Bruno Breithaupt, é preciso fazer um estudo das prioridades do Sistema S e, a partir disso, discutir eventuais cortes. Segundo ele, o sistema, em SC, atua com transparência e gestão de qualidade. No ano passado, o Senac ofereceu 49 mil matrículas e formou 14 mil profissionais.  

– Nós temos na estrutura, hoje, diversos serviços que prestamos na política exercida pelo Senac e pelo Sesc nacional. Em SC, o Sesc e o Senac aplicamos os recursos de uma forma criteriosa, temos exercido um rigoroso controle de caixa, aplicamos os recursos de maneira correta para que o comerciário tenha o máximo de serviços dentro do portfólio que nos recomendam. Qualquer corte, hoje, exigirá uma série de mudanças. Se tivermos que mudar de forma imediata, vai causar uma série de transtornos – alerta Breithaupt.

A Federação da Agricultura e Pecuária (Faesc), que conta com o Senar, concentra praticamente todos os recursos em formação, 90%. Terceiriza essa formação técnica para não ter custos com pessoal, explica o presidente da federação, José Zeferino Pedrozo, ao destacar que o protagonismo do agronegócio catarinense resulta dos cursos do Senar, mais a atuação da Epagri e Cidasc.

– Ficamos preocupados com essa possibilidade de um fato novo. Eu tenho impressão que o ministro Paulo Guedes, antes de tomar uma decisão dessas, venha conhecer o sistema. Se tiver algum S que se enquadra no pensamento dele, se alguém tem desvio, não é todo o sistema que tem que pagar por isso. Aplicamos tudo com transparência, dentro da lei – diz Pedrozo.


  • por
  • Jornal Regional
  • FONTE
  • Diário Catarinense



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