Laudos da morte de adolescente arrastada por ônibus comprovam negligência de motorista, diz polícia

27/10/2018 - 12h59

Os laudos do local da morte e do exame do corpo da adolescente Samanta Cansi, morta em setembro, comprovam que o motorista do ônibus escolar no qual a vítima ficou presa e foi arrastada foi negligente, segundo a Polícia Civil. Esses resultados foram enviados ao poder judiciário conforme ficavam prontos, no início dessa semana, informou o delegado responsável pelo caso, João Miotto.

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou que os laudos não foram juntados ao auto de prisão em flagrante. Após esse procedimento, o material será encaminhado à Promotoria de Justiça.

A morte ocorreu no fim da manhã de 17 de setembro, em Caibi, no Oeste, quando a adolescente, de 15 anos, voltava da escola para casa. Ela ficou presa pelo casaco na porta do ônibus escolar. O condutor, Márcio Viel, de 48 anos, foi preso em flagrante e indiciado por homicídio culposo no trânsito. Ele foi solto três dias depois.

O advogado Gustavo Walker, que representa Márcio Viel, afirmou que não foi intimado sobre os laudos e que ainda não teve acesso a esses resultados. "Vamos aguardar o pronunciamento do Ministério Público e os laudos para analisar as medidas que vamos tomar", afirmou o advogado.

Afastamento

Em 1º de outubro, a Justiça também determinou o afastamento do motorista do cargo. Porém, antes disso, após o acidente, o motorista já havia entrado em licença-prêmio de 30 dias, pedida por ele mesmo. O município disse que, quando ele retornar, será remanejado para outro setor.

A prefeitura afirmou que nunca recebeu queixa formal em relação ao condutor. Ele é concursado e trabalha há 12 anos na administração municipal.

Investigação

Durante a investigação, o delegado afirmou que familiares e pessoas que usavam o transporte disseram em depoimento que o motorista era "negligente diariamente".

"Já havia ficado presa uma outra menina na porta pela mochila. Afirmaram que era frequente ele andar em alta velocidade e que já chegou a esquecer alguns alunos no transporte, sem deixá-los nas paradas. E que já havia deixado o ônibus parado em locais de rodovias perigosos para os alunos descerem", disse.

Miotto perguntou às testemunhas se elas haviam prestado queixa contra o condutor do ônibus na prefeitura e que as pessoas responderam negativamente.


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  • Jornal Regional



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