Saiba como funciona a apuração e totalização dos votos em Santa Catarina

27/10/2018 - 13h06

Neste domingo (28), 5 milhões de eleitores em Santa Catarina devem ir às urnas para definir quem será o novo governador e presidente. São 19 mil urnas espalhadas nos 3,7 mil locais de votação do Estado. Apesar da grande estrutura, o resultado dos votos de Santa Catarina está previsto para sair às 20h, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Estado (TRE-SC). Ou seja, em três horas esses dados serão apurados, transmitidos, totalizados e divulgados. 

Mas, afinal, como isso acontece? É um processo seguro? Como os votos registrados na urna eletrônica chegam ao TRE? Confira essas e outras informações a seguir:

Na hora do voto

Quando o eleitor aperta Confirma na urna o voto é registrado em dois arquivos: um vai para o sistema que irá, no encerramento da seção, totalizar os votos, e o outro vai para o Registro Digital do Voto (RDV). Esse RDV é uma espécie de tabela com os votos digitados na urna. Para impedir a identificação de quem votou em determinado candidato, as informações dentro da urna são embaralhadas, a partir de um algoritmo computacional, e armazenadas.

O armazenamento em dois arquivos, além de dar mais transparência, também permite a recontagem dos votos pelos partidos e previne a perda de votos, pois, em caso de defeito em um deles, é possível recuperar os votos e outros dados. A urna é um equipamento que funciona de forma isolada, ou seja, não tem conexão a redes de computadores, como a internet.

Apuração

Após as 17h, o presidente da seção eleitoral, utilizando senha própria, encerra a votação e imprime o Boletim de Urna, que consiste no somatório dos votos de cada candidato ou legenda, além de votos nulos e brancos. Ou seja, neste momento os computadores das urnas eletrônicas apuram os votos registrados naquele equipamento.

Esse Boletim de Urna, que é assinado pelos mesários, é impresso em cinco vias pela urna eletrônica. A primeira via é afixada em local visível na seção, dando publicidade ao resultado. As três vias seguintes são encaminhadas, juntamente com a ata da seção, ao cartório eleitoral. 

A última via é entregue aos representantes ou fiscais dos partidos políticos presentes. O Boletim vem com um QR Code, que permite ler os dados com o celular e, se o eleitor quiser, 
compará-los com os números divulgados posteriormente pelo TSE.

Transmissão dos dados

Apenas depois da impressão do Boletim de Urna, os dados contidos nos cartões de memória dentro das urnas são criptografados e gravados em uma mídia de resultado (pendrive). Esse pendrive é retirado da urna e levado ao Delegado de Prédio, que recebe todas as mídias de um local de votação e entrega um envelope lacrado a um motoboy. O motoboy leva o pendrive ao cartório eleitoral ou locais de transmissão, onde serão transmitidos ao TRE por meio de rede exclusiva da Justiça Eleitoral ou rede privada virtual. 

Esse envio dos dados é feito online geralmente por uma rede de comunicação própria da Justiça Eleitoral. Cartórios eleitorais, TREs dos Estados e o TSE passam a estar conectados por essa rede privada, pela qual os resultados são transmitidos. 

Os arquivos transmitidos são assinados digitalmente e criptografados. Ou seja, mesmo se alguém conseguisse interceptar um desses arquivos, levaria cerca de 99 anos utilizando supercomputadores para apenas extrair a mensagem, sem qualquer possibilidade de alteração.

O mesário que preside a seção eleitoral tem como uma das funções comparar a via impressa do Boletim de Urna com a via digital divulgada posteriormente pelo TSE. Em 22 anos de urna eletrônica nunca foi reportada qualquer diferença entre a versão impressa e a versão digital.

Totalização dos votos

O próximo passo é a totalização dos resultados, que é a soma dos dados de todos os Boletins de Urna. Depois de receber os dados enviados pelas zonas eleitorais, o TRE utiliza um software do TSE que confere a autenticidade das informações, decodifica os dados e faz a contagem de votos no Estado. O TRE faz a totalização para os cargos de deputados, senador e governador.

A totalização também pode ser realizada de forma independente pela sociedade organizada pela leitura dos Qrcodes impressos ao final do Boletim de Urna e fixados nas seções eleitorais. Em 2016 o TRE-SC realizou projeto experimental na cidade de Blumenau que consistia na leitura dos Qrcodes das seções pelos próprios mesários, sem afetar a transmissão e totalização da forma tradicional. A experiência demonstrou ser totalmente viável a realização de uma totalização paralela e independente da Justiça Eleitoral.

Nas eleições para presidente da República, o Boletim de Urna é transmitido primeiro ao TRE para totalização, que então passa, através da rede privativa, para o TSE a soma dos votos para presidente do Estado.

Para garantir a disponibilidade e a segurança dos canais de comunicação toda a rede nacional da Justiça Eleitoral entre em modo de segurança extremo a partir do sábado como forma de proteção para as cerca de 200 mil tentativas de ataques ao serviço por minuto.

O TSE faz a leitura das bases de dados dos TRE e divulga a contagem em tempo real pela internet. Esse sistema não faz o processamento dos dados, apenas a divulgação dos resultados.

“Não temos contato com a internet”

O secretário de Tecnologia da Informação do TRE-SC,   Álvaro Sampaio , afirma é tecnicamente impossível  alguma alteração nos dados e que demoraria 99 anos para decifrar  a mensagem das urnas com um supercomputador.

O que garante a segurança da apuração dos votos?

Apenas depois das 17h que a urna pode ser encerrada. Quando ela é encerrada, então emite o Boletim de Urna (BU) e depois disso que vai gravar os dados criptografados na mídia de resultado (uma espécie de pendrive). Então a gente tem duas versões do mesmo dado, a versão eletrônica e a física. Em eleições municipais, em cidades pequenas, os partidos conseguem totalizar os votos antes do TRE com a leitura do BU. Neste sábado, a partir do início da tarde, a nossa rede privativa (para transmissão das apurações) entra em defesa máxima, a gente perde toda conexão com a internet. Essa rede é exclusiva, contratada por licitação, e privada da Justiça Eleitoral. Não tem intermediário no meio do caminho.

É comum a tentativa de interferência?

Como a nossa rede fica isolada e a única porta de saída é o TSE acontecem tentativas de derrubar o serviço. Botnets (rede de agentes de software ou bots que executam autonomamente) ficam disparando requisições para o TSE, como se fossem várias pessoas acessando, para tentar derrubar o site e tirar do ar. Chegam a 200 mil tentativas por minuto. Mas nunca teve nenhuma tentativa de alteração em 22 anos. Até porque é tecnicamente impossível, já que o sistema usa uma  criptografia de 512 bits e demoraria no mínimo 99 anos para decifrar a mensagem com um supercomputador.

O que permite essa rapidez na totalização em SC?

A questão da geografia do Estado facilita, porque a gente não tem uma área muito extensa. Se comparar com Pará ou Amazonas, por exemplo, lá tem barco, usa satélite e tem toda uma estrutura diferente. Aqui no máximo em 40 minutos a uma hora a gente chega nos locais mais distantes. A gente divide os  locais de votação para que alguém possa passar lá e pegar as mídias (pendrives) de forma mais rápida possível. Tem alguma dificuldade maior quando precisa passar por terra indígena ou quando depende de barco, como na Baía da Babitonga, em Joinville, e na Costa da Lagoa, em Florianópolis.


  • por
  • Jornal Regional



DEIXE UM COMENTÁRIO

Facebook

banner responsivo
banner responsivo

SIGA-NOS