Após lucro recorde puxado por venda de gasodutos, o que mais está na fila de privatização na Petrobras

05/08/2019 - 09h48

Após a privatização de uma rede de gasodutos, a Petrobras registrou lucro recorde de R$ 18,9 bilhões de abril a junho de 2019, o maior resultado trimestral da companhia. Ao divulgar o resultado, a Petrobras informou que ele se deve "principalmente" à conclusão da venda, em junho, da Transportadora Associada de Gás (TAG), que atua no transporte e na armazenagem de gás natural.

A operação faz parte do processo de privatização de "braços" da Petrobras, prometido pelo comando da companhia e pela equipe econômica do governo Jair Bolsonaro.

O governo e a Petrobras têm se empenhado para promover a venda de outros ativos da companhia e concentrar esforços na área de exploração e produção de petróleo. O plano é vender para a iniciativa privada ativos em áreas, como o refino e o transporte e distribuição de gás.

Agora, a dúvida é qual será a velocidade - e as condições - em que esses ativos serão privatizados. E a decisão de vendas para a iniciativa privada, claro, continua a dividir opiniões: se o mercado aprova a iniciativa, representantes dos funcionários são contrários ao plano.

Fila de privatização

O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a defender a privatização de ativos da Petrobras em evento no Rio, em julho.

"O petróleo está no fundo do mar, pode ser que daqui a 20 ou 30 anos o carro seja elétrico e o petróleo fique sem valor. Então, estamos trabalhando a mil por hora para focar a Petrobras na extração do petróleo", afirmou Guedes, que no mesmo dia voltou a dizer que a intenção do governo é "disparar o canhão da privatização".

Em mensagem aos investidores, divulgada com o resultado do segundo trimestre, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse que "com um programa de desinvestimentos desenhado, a prioridade daqui em diante será a estruturação e execução das transações".

"Estamos firmemente comprometidos em sair completamente dos negócios de transporte e distribuição de gás natural e em reduzir nossa participação nas compras para menos de 50%, concentrando-nos consequentemente na exploração e produção", escreveu.

Em conferência com investidores na sexta-feira (2), Castello Branco disse que "internamente" o plano de desinvestimentos "está praticamente fechado".

A Petrobras já divulgou que pretende privatizar oito refinarias: Refinaria Abreu e Lima (RNEST); Refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR); Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP); Refinaria Landulpho Alves (RLAM); Refinaria Gabriel Passos (REGAP); Refinaria Isaac Sabbá (REMAN); Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (LUBNOR); Unidade de Industrialização do Xisto.

As quatro primeiras já tiveram os alertas de venda (chamados de teasers) divulgados. As outras quatro devem ter os teasers divulgados até o fim deste ano, segundo a Petrobras.

Outros ativos que estão no plano de vendas da companhia são a Liquigás (distribuidora de gás liquefeito de petróleo), a participação da Petrobras na processadora de gás argentina Mega e alguns campos - que a Petrobras diz que são "campos maduros, com baixa produtividade e alto custo de extração e onde não somos donos naturais".

Neste ano, a Petrobras também vendeu parte da participação da BR Distribuidora, concluiu a venda da refinaria de Pasadena, no Texas, para a Chevron, e vendeu suas operações no Paraguai à empresa paraguaia Copetrol.

Na mensagem aos investidores, Castello Branco mencionou vender, "no futuro", parcial ou totalmente o que a Petrobras ainda tem em participação na BR Distribuidora.

"Os desinvestimentos somaram US$ 15 bilhões até o final de julho, com destaque para as transações da TAG, da BR Distribuidora - primeira privatização via mercado de capitais na história do Brasil - e de campos maduros de petróleo. Ficamos ainda com 37,5% do capital da BR, que no futuro temos a intenção de vender parcial ou totalmente. Enquanto isso, vamos nos beneficiar como acionistas do enorme potencial de criação de valor da BR com a flexibilidade que possui uma empresa privada."


  • por
  • Jornal Regional



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