Bitcoin é banido na China; país proíbe todas as transações em criptomoedas

phanurak rubpol/Shutterstock

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25/09/2021 - 08h17

Enquanto países como a Ucrânia legalizam o uso do bitcoin, a repressão da China às criptomoedas ganhou um novo capítulo importante nesta sexta-feira (24). Agora, o banco central do país tomou uma medida drástica: o órgão decidiu que todas as transações relacionadas aos ativos digitais são ilegais.

O Banco Popular da China emitiu um comunicado oficial sobre a mudança em conjunto com outros órgãos governamentais. As autoridades afirmam que “existem riscos legais para indivíduos e organizações que participam de atividades comerciais” com criptomoedas.

Os cidadãos chineses que trabalham ou residem no exterior também não estão isentos da medida. Segundo o Financial Times, o governo local diz que eles também serão investigados no rigor da lei.

Criptomoedas em queda

Como era de se esperar, as criptomoedas estão novamente em queda livre após a decisão. Atualmente, o bitcoin já caiu 4,5%, o ethereum, por sua vez, registra queda de 7,5%.

A medida chega após uma mensagem do Partido Comunista Chinês que já visava proibir de vez a mineração de criptomoedas e alertava as instituições financeiras para não participarem de transações com ativos digitais.

Crise imobiliária na China

O duro golpe ocorre em um momento chave na China, em que o setor imobiliário enfrenta uma crise sem precedentes de liquidez de dívidas. Algo que pode acabar impactando em todo o resto da economia do país.

Alguns analistas, inclusive, comparam a crise da Evergrande — um grupo de construção civil chinês que está chacoalhando o mercado com a possibilidade de calote de uma dívida de US$ 300 bilhões — ao que ocorreu com a Lehman Brothers, a corretora americana que faliu em 2008, dando início a forte crise de hipotecas nos Estados Unidos. Também há a possibilidade de o governo chinês intervir, evitando o chamado “efeito cascata” na economia.

Fluxo de capital

Por ora, o grande temor é: se os problemas da Evergrande refletirem pela economia chinesa, os investidores podem mover o seu dinheiro para fora do país. O governo chinês já restringe esse fluxo de capital, preferindo que os investidores mantenham o dinheiro circulando na economia do país.

No entanto, quando o assunto são criptomoedas, fica mais difícil controlar essa saída devido à natureza anônima e à facilidade com que os ativos digitais podem ser convertidos em outras moedas.

No fim, tudo indica que a repressão dos criptoativos na China não ocorreu apenas por conta dos impactos negativos da mineração no meio ambiente ou pelo fato dos ativos estarem comumente ligados a transações ilícitas. Outro fator mais relevante é: o governo chinês provavelmente reconhece os riscos de um setor imobiliário gigantesco prestes a “explodir”, e está tentando limitar as consequências quando o “estouro da bolha” vier restringindo ainda mais o setor de criptomoedas no país.

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  • Jornal Regional



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