Em audiência pública no Senado, familiares de vítimas do voo da Chape pedem ajuda ao Governo Federal

18/06/2019 - 20h59

Quase três anos depois da maior tragédia da história do futebol brasileiro, familiares e amigos das vítimas da queda do voo da Chapecoense, em 29 de novembro de 2016, foram ao Senado Federal na manhã desta terça-feira (18) cobrar respostas e pedir o pagamento de indenizações aos envolvidos.

"São três países envolvidos nessa tragédia, sendo que dois (Colômbia e Bolívia) negligenciaram realmente essas vidas. Por isso nós viemos pedir ajuda ao governo brasileiro no sentido de nos auxiliar a buscar justiça nos países vizinhos, que foram os responsáveis por esse incidente", disse Fabienne Bele, presidente da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo da Chapecoense (AFAV-C).

A audiência foi convocada pelo senador Nelson Trad (PSD/MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, a pedido da representantes da AFAV-C.

"Falamos em nome de aproximadamente 300 pessoas. Em nome de mães que vão morrer sem saber os reais motivos da tragédia, de filhos que ficaram sem pais, de crianças que tiveram terror noturno e incontingência urinária por conta da perda. É muito difícil", afirmou lamentou Mara Regina D'Emílio Paiva, vice-presidente da AFAV-C e viúva do ex-jogador e comentarista da Fox Sports Mário Sérgio.

Segundo o senador, uma nova audiência pública deve ser realizada em agosto com a convocação de representantes do Ministério Público, da Advocacia Geral da União (AGU) e das embaixadas dos países envolvidos – Colômbia, Bolívia e Estados Unidos.

"Nós temos essa prerrogativa, temos essa legitimidade e vamos fazer a nossa parte no sentido de reparar um pouco do dano grave que todas as famílias tiveram com essa tragédia", afirmou Trad.

Jogadores não comparecem à audiência

Havia a expectativa das presenças do zagueiro Neto e do goleiro Jackson Follmann na audiência, mas apenas advogados dos jogadores compareceram. Além do lateral Alan Ruschel (reintegrado ao elenco da Chape) e do jornalista Rafael Henzel (vítima de um ataque cardíaco fatal no fim de março), eles foram os únicos a sobreviverem ao impacto da queda do avião.

"O Neto não está aqui porque é muito difícil essa situação para ele. O Neto morre todos os dias. Todo dia que ele tem que falar, comparecer, explicar algo do acidente. O Neto perdeu no mínimo 30 amigos diários, e se espera muito dele. A gente não pode esquecer que ele é ser humano. Estava muito fragilizado pra poder vir a essa audiência pública", falou o advogado do jogador, Marcel Camilo.

Acordo de indenização trabalhista com 20 famílias

No início de maio, a direção da Chapecoense informou ter ajuizado acordo de indenização de 20 ações trabalhistas de famílias da tragédia aérea na Colômbia. O valor total, segundo o diretor financeiro do clube, Paulo Ricardo Magro, girou em torno de R$ 14 milhões.

A Chapecoense lida com o ônus dos processos jurídicos por ter sido a responsável pela contratação da aeronave da LaMia, apontada pela Aeronáutica Civil da Colômbia como principal culpada pelo acidente (veja conclusões do relatório abaixo).

Ao todo, foram 70 processos contra o clube: 43 cíveis, propostos por parentes de vítimas que não possuíam contrato de trabalho com a equipe (como diretores, jornalistas e convidados), e 27 processos trabalhistas, feitos por familiares de ex-jogadores e funcionários.

Relatório

Em 27 de abril do ano passado, a Aeronáutica Civil da Colômbia divulgou o relatório final sobre o acidente. Segundo o documento, a queda foi causada pela falta de combustível no avião, sendo a empresa aérea LaMia culpada pela "gestão de risco inadequada".

Entre as principais conclusões apresentadas estão:

-40 minutos antes do acidente, o avião já estava em emergência e a tripulação nada fez. Houve indicação, luz vermelha e avisos sonoros na cabine. "A tripulação descartou uma aterrissagem em Bogotá ou outro aeroporto para reabastecer", diz o documento.

-o controle de tráfego aéreo desconhecia a "situação gravíssima" do avião.

-a tripulação era experiente, com exames médicos em dia.

-o contrato previa escala em Santa Cruz e no aeroporto de Medellín, mas a empresa planejou voo direto.

-a LaMia estava em situação financeira precária e atrasava salários aos funcionários. A empresa sofria de desorganização administrativa.

-a LaMia não cumpria determinações das autoridades de aviação civil em relação ao abastecimento de combustível. Já no relatório preliminar havia sido destacado que o piloto Miguel Quiroga sabia que o combustível que tinha não era suficiente. Ele “decidiu parar em Bogotá, mas mais adiante mudou de ideia e foi direto para Rionegro", onde o avião caiu.

-a Colômbia deve melhorar controles sobre voos fretados.

Relembre a tragédia

Na madrugada do dia 29 de novembro de 2016, o avião que transportava a delegação da Chapecoense para a primeira partida da final da Copa Sul-americana, contra o Atlético Nacional, caiu na região de Antioquia, na Colômbia.

O acidente provocou a morte de 71 pessoas, entre jogadores, dirigentes e funcionários do clube e jornalistas, convidados e membros da tripulação. Outras seis pessoas ficaram feridas.

Dentre os brasileiros, sobreviveram da tragédia o zagueiro Neto, o goleiro Jackson Follmann e o lateral Alan Ruschel (já reintegrado ao elenco da Chape), além do jornalista Rafael Henzel, que morreu no fim de março deste ano, vítima de um infarto enquanto jogava futebol com amigos.


  • por
  • Jornal Regional



DEIXE UM COMENTÁRIO

Facebook