Foto: Alexandre Schneider/Getty Images
A partida contra o Chile, às 20h30 (de Brasília) desta
quinta-feira, tem ares de despedida para Tite. Se tudo caminhar como previsto
pelo técnico e pela CBF, o jogo desta noite será o último dele no comando da Seleção em solo
brasileiro.
Quis o destino que o palco do "adeus" do
treinador fosse o Maracanã, local repleto de significado para a Seleção e
também para Tite. Foi no templo do futebol que ele teve a maior alegria e uma
das maiores decepções no comando do time canarinho. Em 2019, o treinador
faturou a Copa América, único título conquistado por ele no cargo até o
momento. Já no ano passado, o estádio abrigou a derrota brasileira para a rival
Argentina na final do mesmo torneio.
– O templo do futebol mundial, eu vejo assim na minha
cabeça. Fecho o olho, vejo alguns lugares que fui e são Maracanã e Wembley (na Inglaterra).
Não consigo enxergar outro estádio que represente a magnitude do futebol tal
qual esses. Eu estou tendo a felicidade, talvez o papai do céu junto com meu
trabalho tenha me proporcionado a condição de fazer esse último jogo no
Maracanã também. No primeiro nós vencemos, no segundo nós perdemos. Quem sabe a
gente tenha a competência de sair com a vitória nesse último – declarou Tite,
na véspera da partida.
Mas se o treinador decidiu que deixará o cargo somente no fim do ano,
após a Copa do Mundo do Catar, por que a despedida em solo
brasileiro será tão precoce?
A resposta está no calendário da Seleção. Nas datas
Fifa de junho e setembro, as únicas antes do Mundial, a equipe deve disputar
amistosos no exterior, atendendo a interesse da Pitch, empresa que detém os
direitos comerciais dessas partidas.
Ou seja, o duelo
contra Chile pode marcar não só o "adeus" de Tite no País, como
também o último ato da Seleção em casa antes de embarcar para o Catar.
A única possibilidade de isso mudar é caso a Fifa
determine que a partida contra a Argentina seja realizada no Brasil. O
clássico, válido pela 7ª rodada das Eliminatórias e que deveria ter acontecido
em setembro do ano passado, mas acabou suspenso após intervenção de agentes da
Anvisa, deve ser disputado em junho. A CBF quer levar o confronto para a Austrália, à pedido da Pitch.
A decisão sobre o local do jogo deve sair na próxima semana.
A TV Globo e
SporTV transmitem o duelo.
Retrospecto
amplamente favorável
Desde 2016 no cargo, Tite dirigiu a Seleção em 29 jogos
dentro de casa, com aproveitamento excelente, de 86% dos pontos.
Foram 25 vitórias, três empates e apenas uma derrota, justamente na final da
Copa América do ano passado.
A estreia em solo brasileiro foi em Manaus, na vitória
por 2 a 1 sobre a Colômbia, em 6 de setembro de 2016. Desde então, passou por
nove estados diferentes, além do Distrito Federal, em jogos de Eliminatórias,
Copa América e amistosos.
Em termos de classificação nas Eliminatórias, o embate
contra o Chile nesta noite vale pouco. Porém, Tite sabe que há muito mais do
que pontos em jogo:
– Desempenho sob pressão, e uma pressão positiva, de uma expectativa positiva. Nós todos sabemos dessa realidade. A gente quer, sim, ter um grande desempenho. É uma equipe jovem, que vai pegar uma equipe experiente, rodada, a base dela é bicampeã da Copa América. Então ela sabe dos graus de dificuldade, vai saber que tem que marcar muito bem, ser agressiva, ousada, se puder jogar bonita que o faça... mas que saiba que no ponto de equilíbrio vai estar a sua boa atuação. E essa expectativa que é gerada, temos que saber jogar em cima dessa pressão. Tomara que a gente tenha competência de sair com uma boa apresentação, bom resultado, uma sintonia, uma energia legal. É isso que a gente busca, esse é o nosso desafio, a pressão que temos para conosco – declarou.
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