Nova gasolina passa a valer em todo o Brasil; aumento em SC deve ficar entre 10 e 15 centavos

03/08/2020 - 10h09

Entram em vigor nesta segunda-feira, dia 3, os novos padrões para a gasolina comercializada no Brasil inteiro. Com base em novas especificações definidas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o combustível terá qualidade superior e melhor rendimento, mas será também mais caro para os consumidores. Em Santa Catarina, a expectativa dos sindicatos do setor é de um aumento entre 10 e 15 centavos.

A gasolina nos postos não deve, no entanto, mudar do dia para a noite. Conforme a própria resolução da ANP, a partir desta segunda as refinarias têm 60 dias para trocarem totalmente a gasolina vendida, enquanto os postos têm 90 dias. O período servirá para a adequação dos estabelecimentos, que precisam zerar o estoque da gasolina “velha” até passar a vender somente o novo combustível.

Conforme o vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Minerais de Florianópolis (Sindópolis), Joel Fernandes, ainda não há uma data exata para o novo combustível chegar a Santa Catarina. “Estamos verificando ainda como é que vai essa substituição. O correto é vender primeiro toda a gasolina que tem, mandar fazer a limpeza nos tanques e colocar a nova sem ter contaminação”, explica.

Fernandes vê pontos negativos e positivos na mudança para os postos. O negativo é o preço, que pode fazer as vendas caírem, enquanto o positivo é a qualidade do produto, que vai deixar menos resíduos nos tanques dos estabelecimentos e, consequentemente, reduzir o número de limpezas feitas por ano.

“É uma gasolina de ótima qualidade, vai ser muito melhor para o consumidor, embora mais cara. É como se fosse a gasolina premium atual. A nova gasolina comum já vai ser equivalente em octanagem à gasolina premium atual”, avalia Fernandes.

Mas afinal, o que faz da nova gasolina brasileira melhor que a atual?

Conforme a ANP, a mudança envolve três pontos básicos: densidade, octanagem e ponto de vaporização. Para os motoristas, nenhuma mudança no motor do carro será necessária para rodar com o novo combustível.

O professor Amir Oliveira Júnior, do Departamento de Engenharia Mecânica da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), explica que agora a gasolina vendida deverá seguir um valor mínimo de densidade (massa específica), de 715 kg/m3 (a 20ºC). Na prática, isso deve ajudar na garantia de qualidade do produto e do desempenho no motor.

“Um valor menor de massa específica significa que a gasolina possui espécies químicas mais leves na sua composição, o que pode resultar em uma combustão inadequada, causando perda de desempenho e eficiência. A especificação de um valor mínimo para a massa específica também permitirá uma fiscalização mais efetiva nas distribuidoras e postos de gasolina”, explica o professor.

No caso da octanagem, duas mudanças serão aplicadas. A primeira é a troca do método de medição usado no Brasil. Até então o país usava o chamado IAD, que era uma média aritmética entre os métodos RON e MON - mais comuns em outros países.

“A regulamentação vigente especificava que o IAD mínimo da gasolina comum era 87, e da gasolina premium era 91. Isso não garantia um índice RON elevado, pois apenas regulamentava o IAD. A mudança para a especificação do RON é um avanço, pois ele é mais adequado para caracterizar o desempenho do combustível nos motores atuais. A especificação da gasolina C comum passará para MON mínimo de 82 e RON mínimo de 93, portanto, com um IAD maior, enquanto o RON mínimo da premium passará para 97”, diz Oliveira.

Na prática, o aumento da octanagem permite que o motor tenha mais potência e, com isso, seja mais econômico e emita menos poluentes, pois permite que um mesmo trajeto seja feito com um gasto menor de gasolina.

É claro que o aumento de octanagem vem com um custo, o qual contribuirá para o custo do combustível na bomba. Porém, espera-se que os ganhos em redução de consumo sejam superiores ao aumento de preço na bomba, finaliza o professor.

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