São Miguel do Oeste liga sinal de alerta com nova variante do coronavírus
No dia 2 de maio existiam 63 casos ativos no município. Na segunda-feira (07) os exames confirmaram 74 infectados num único dia. Num prazo de cerca de 30 dias foram a óbito 13 vítimas do coronavírus

O médico Maurício Piacentini diz que o momento é extremamente delicado

O médico Maurício Piacentini diz que o momento é extremamente delicado

09/06/2021 - 00h10

A nova onda de contaminação provocada pelo coronavírus, em São Miguel do Oeste, ligou o sinal de alerta das autoridades sanitárias. O crescimento do número de casos preocupa. A doença já infectou no município 5.242 pessoas, segundo balanço diário oficial divulgado ontem (08) pelo Comitê de Crise, e causou a morte de 59. Dos que testaram positivos, 4.910 estão recuperados.

Os casos ativos que em 7 de maio eram 95, em cerca de um mês pularam assustadoramente para 273, num crescimento que supera 65%. Num período de 30 dias São Miguel do Oeste registrou a morte de 13 vítimas da Covid-19. No dia 2 de maio, existiam 63 casos ativos no município pólo do Extremo Oeste de Santa Catarina. Entretanto, somente na última segunda-feira os exames confirmaram 74 infectados num único dia. No período de 7 de maio a 7 de junho, 768 testaram positivo e 588 entraram para a relação dos recuperados.

Sobre a situação atual em relação ao Covid-19 em São Miguel do Oeste, o JRTV entrevistou o coordenador do Comitê de Crise, Dr. Maurício Piacentini. Confira o que disse a autoridade sanitária:

JRTV - A que podemos atribuir essa situação? Existe algum motivo em especial?

Dr. Maurício -  A aceleração no número de casos novos, de casos ativos, por consequência dos casos graves e de óbitos, se deve principalmente às variantes da Covid-19. Principalmente à variante brasileira e com certeza à  variante indiana, que tiveram influencia nos casos mais severos que atingiram mais os jovens, principalmente os com menos de 60 anos e sem comorbidades. O perfil da doença mudou e se tornou mais agressiva principalmente nos jovens, com comprometimento do pulmão. Mas também podemos atribuir,em segundo lugar, ao comportamento das pessoas. A convivência das pessoas após um ano e meio com a pandemia se tornou mais natural. De certa forma as pessoas perderam o medo do coronavírus, deixando de lado o uso da máscara, a higiene das mãos e o distanciamento. As pessoas estão deixando as recomendações de lado.

JRTV - A falsa sensação de que o pior já passou pode servir para agravar ainda mais o quadro?

Dr. Maurício - A sensação de que o pior já passou com certeza traz para as pessoas a falsa sensação de segurança, que podem se expor e que não serão contaminados. Ou se forem contaminados, o vírus é mais brando. Com o advento das variantes o vírus tem se tornado mais agressívo.Temos mais dúvidas do que certezas em relação ao comportamento do coronavírus. Então essa falsa sensação de que o pior já passou, faz com que as pessoas se exponham mais ao risco de contaminação. Em grupos, se expõem mais a circulação do vírus. Aqui em São Miguel do Oeste e em toda a região é noticiado de que a polícia precisa intervir em festas clandestinas,em aglomerações no comércio, em festas particulares, em pub, casas noturnas e restaurantes. O hospital está lotado, os leitos em enfermaria e UTI lotados. A situação está tão ruim como em março, quando houve quase um colapso no sistema de saúde.

JRTV - Até agora foram aplicadas cerca de 18 mil vacinas em São Miguel do Oeste. Qual é a previsão para vacinação dos mais de 40 mil habitantes do município?

Dr. Maurício - Até o momento 17 mil pessoas foram vacinadas em São Miguel do Oeste, porém 12 mil receberam a primeira dose e 5 mil a segunda dose. Em termos gerais 5 mil pessoas estão imunizadas contra a Covid-19. A gente considera a imunização completa depois da realização da segunda dose. A distribuição de vacinas está a cargo do governo federal, centrada no Ministério da Saúde. Por isso é difícil afirmar quando a vacinação será concluída. Gostaríamos que a vacinação estivesse muito mais avançada.

JRTV - O que o coordenador do Comitê de Crise recomendaria à população?

Dr. Maurício - Desde o início a secretaria municipal de saúde e a secretaria estadual de saúde tem feito campanhas informando as pessoas sobre os riscos do novo coronavírus. As medidas de distanciamento social, o uso de máscaras, a higiene das mãos, a etiqueta da tosse e evitar circular em locais fechados e com muita gente são recomendações que persistem. Devemos cuidar de nossas famílias, de nossos amigos. Nós precisamos mais do que nunca seguí-las (as recomendações), evitando nos expor a ambientes de riscos, que possam nos contaminar ou que contaminemos a quem convive conosco. Este é um momento extremamente delicado da pandemia, por isso precisamos mais do que nunca essas orientações. 

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  • por
  • Jornal Regional
  • FONTE
  • JRTV/Jornal Regional



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