Estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) estima que a sonegação de impostos por empresas brasileiras alcance R$ 417 bilhões anualmente. Ao todo, o faturamento das empresas que não foi declarado chega a R$ 2,33 trilhões por ano. Apesar da alta quantia, a pesquisa aponta que as fiscalizações e autuações fiscais têm aumentado no País nos últimos anos.
Entre 2018 e 2019, segundo a pesquisa, foi constatado um crescimento de 145,6% na quantidade de autos de infração emitidos pela Receita Federal contra pessoas jurídicas. Já entre 2002 e 2019, o índice de sonegação fiscal no Brasil passou de 32% para 15%. João Eloi Olenike, presidente do IBPT, afirma que a redução se deu, principalmente, pela implementação da tecnologia no trabalho realizado pelos órgãos de fiscalização.
“Os fiscos [órgãos responsáveis pelo recolhimento de
tributos] municipais, estaduais e federal se automatizaram, fizeram melhorias
tecnológicas e também promoveram cruzamentos de informações eletrônicas, o que
fez com que as sonegações fossem descobertas”, diz.
Em 2019, segundo o levantamento, o total de autos de
infrações de tributos federais, do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
Serviços (ICMS), que é de competência estadual, e do Imposto sobre Serviços de
Qualquer Natureza (ISSQN), de atribuição municipal, somou R$ 273,1
bilhões.
O ICMS foi o segundo imposto mais sonegado em 2019, perdendo
apenas para o imposto de renda, que é de responsabilidade do governo federal. A
Constituição Federal estabelece que 25% do ICMS arrecadado por governos
estaduais seja repassado às prefeituras.
Ricardo Ramos, especialista em gestão pública e cofundador da
Gove, plataforma de inteligência que aumenta a eficiência das finanças
municipais, explica que, apesar de ser um tributo estadual, o ICMS, em muitos
municípios, é o imposto que mais contribui para as finanças das
prefeituras.
“Pelo fato desse imposto ser uma das principais fontes de
arrecadação dos municípios, qualquer quantia que deixa de ser recolhida pelas
prefeituras é algo que a cidade poderia estar.”
Para chegar ao resultado de R$ 417 bilhões sonegados no ano
passado, os pesquisadores fizeram uma estimativa sobre contribuintes que não
pagaram devidamente os seus impostos, mas não foram sequer notificados por
órgãos de fiscalização.
No ano passado, foram emitidos 261.009 autos de infração. Os
pesquisadores afirmam que os indícios de sonegação estão presentes em 47% das
empresas de pequeno porte, 31% das empresas de médio porte e 16% das grandes
empresas.
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