Supermercados de SC: Consumidores concentram em itens básicos e essenciais

31/03/2020 - 16h01

Considerado segmento essencial à economia, e que por isso continua em funcionamento em meio à quarentena, os supermercados de SC viveram períodos distintos neste mês de março. Uma pesquisa da Associação Catarinense de Supermercados (Acats) indica que o momento atual é de retração do consumo, mais concentrado em itens básicos e essenciais. O fechamento do mês está indicando uma queda média de 10% a até 30% nas vendas, dependendo do porte e da localização dos varejos.

A primeira movimentação atípica do mês ficou no entorno do anúncio do isolamento, o período de 16/03/2020 a 22/03/2020, quando foi registrada na média um acréscimo de 50% nas vendas. Na semana seguinte a situação voltou ao normal, com as vendas reduzidas também 50%, na média. Na abertura dessa semana atual, o segmento registra nova queda, agora entre 10% e 30%, com alguns casos isolados de até 70%, casos de lojas de praias afetadas pela interdição total dos espaços públicos.

SEGMENTO VINHA NUM BOM MOMENTO

O Presidente da Associação Catarinense de Supermercados (Acats), Paulo Cesar Lopes, registra que o setor vinha num momento de recuperação em 2020. Fevereiro registrou um desempenho 7,81% superior em relação ao 2019, e na comparação de fevereiro com janeiro de 2020, o resultado também foi positivo, de 1,80%. No acumulado o primeiro bimestre fechou com + 4,29% superior a idêntico período de 2019.

PÁSCOA TEM MUDANÇA ACENTUADA DE EXPECTATIVA

Na sondagem do termômetro de vendas relativo a fevereiro, ainda sem a ocorrência dos efeitos do coronavirus, realizada na primeira quinzena de março, a expectativa do setor era de otimismo em relação à Páscoa deste ano. Dos pesquisados, 37% indicaram que compraram mais produtos para a Páscoa de 2020, 8% na média, enquanto outros 37% responderam que ficaram no mesmo patamar de encomendas de 2019. Um contingente de 26% afirmou que aguardava vendas mais fracas e que diminuiu a quantidade de produtos.

A mesma sondagem feita com os empresários após a pandemia do coronavinus indica uma mudança radical de expectativas: 80% dos empresários indica a possibilidade de queda de vendas, com a preferência por itens de baixo valor e somente 20% acredita que a Páscoa terá o mesmo desempenho de 2019. Ninguém indicou crescimento.

Na pesquisa com mais de 30 empresas que a ACATS fez neste início de semana, o que mais se destacou nas manifestações dos empresários do setor:

COMPORTAMENTO DAS EMPRESAS

- Adesão total a todas as normas de segurança dos funcionários indicadas pelas autoridades sanitárias, reforçada em todos os ambientes de trabalho, mesmo aqueles sem contato direto com o público consumidor.

- Adoção de horários especiais de funcionamento e de controle de número de consumidores nas áreas de vendas e higienização ostensiva dos pontos de contato manuais (cestas, carrinhos, caixas, corrimões, banheiros, etc..).

- Garantia de abastecimento normal de praticamente todas as categorias, muito pontualmente alguma marca em curto atraso de entrega.

- Crescimento exponencial de vendas pelos canais on line, tanto com entrega como retirada programada, isso valendo para lojas e redes de todos os portes.

- No processo de televendas as lojas de pequeno porte localizadas em áreas mais densamente habitadas tem optado pelo processo simplificado e no contato direto com o cliente, recebendo as encomendas via whatsapp e agilizando as entregas diretamente na casa do cliente ou programando a retirada na própria loja.

- Como o elo da cadeia de consumo entre os produtores e os consumidores finais, os supermercados estão empenhados em negociar custos com seus fornecedores, evitando ajustes que impactam no consumidor

COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR

- Passado o período em que muitas famílias buscaram se estocar ao máximo, a ida às lojas diminuiu a frequência, com registro de ocorrência de filas apenas em alguns casos em horário de abertura.

- As cestas de compras deixaram de incluir as vendas por impulso e com isso várias categorias mais supérfluas perderam a preferência.

- Redução do consumo de folhosos e vegetais com ciclo muito rápido, por frutas, legumes e verduras com mais tempo de duração na guarda em casa, reflexo direto do número menor de deslocamentos para compras.

- Itens com maior durabilidade na despensa e refrigeração tem maior procura, em detrimento de produtos perecíveis de ciclo rápido de consumo.

- O consumo do setor de padaria mudou acentuadamente: tortas, pães, doces e salgados de consumo no dia-a-dia normal das pessoas deixaram de ser os mais adquiridos, mudando a preferência por itens estilo longa vida.

- A frequência de consumidores (idas por semana nas lojas) diminuiu, com isso caiu o fluxo, mas o tíquete de compras a cada ida em muitos casos tem aumentado.

-  Nota-se uma grande preocupação por parte dos consumidores com os protocolos de segurança na circulação dentro das lojas, todas bem afastadas e cumprindo as instruções de espaçamento e higienização nas entradas e saídas.

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