Surfista é mordido por tubarão no litoral de Santa Catarina

Tubarão-mangona foi o responsável por ferimento em surfista de Navegantes

Tubarão-mangona foi o responsável por ferimento em surfista de Navegantes

25/01/2021 - 11h47

Um surfista foi socorrido pelos bombeiros na manhã desde domingo (24), em Navegantes, depois de ter sido mordido no pé por um animal marinho. Ele subiu na prancha e seguiu até a faixa de areia, onde foi resgatado por guarda-vidas e levado ao hospital, mas passa bem. As marcas do ferimento foram analisadas pelo curador do Museu Oceanográfico da Univali, em Balneário Piçarras, que identificou tratar-se de uma mordida de tubarão-mangona.

O pesquisador fez a identificação ao observar o formato e a extensão das lesões, que atingiram a sola e o peito do pé do surfista. Soto afirma que o corte paralelo, associado aos pequenos furos na parte de cima do pé, são típicos de dentes alongados cônicos, como são os do tubarão-mangona. É algo diferente da maioria das outras espécies de tubarões, que têm dentes triangulares e achatados.

- O tubarão-mangona tem dentes disformes, virados para dentro. Por isso ele tem muito cuidado com o que morde, porque tem muita sensibilidade.

Jules Soto acredita que o tubarão estivesse em busca de alimento e tenha mordido de leve o pé do surfista para ‘sondar’ do que se tratava. Esse é um comportamento típico da espécie.

Um ataque semelhante ocorreu em Santa Catarina em março de 2016, quando o tubarão mordeu um banhista na Praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú. Rafael Hermes Thomas, 41 anos, foi atingido na cabeça pelo animal assim que mergulhou na arrebentação. Socorrido pelos guarda-vidas, ele foi levado ao hospital Ruth Cardoso e precisou levar pontos, mas não se feriu com gravidade.

O maior risco dessas mordidas ‘leves’ de tubarão é de infecção, devido às bactérias que estão presentes na boca do peixe. Por isso, o ferimento demanda cuidados especiais e acompanhamento médico.

Os ataques recentes não são motivo para que as pessoas deixem de tomar banho de mar em Santa Catarina.

- Essas situações são raríssimas, as pessoas não têm que mudar seus hábitos por isso – avalia Soto.

Raridade

Antes de ser ameaçado de extinção pela pesca predatória, o tubarão-mangona era facilmente encontrado na costa catarinense. De acordo com o curador do Museu Oceanográfico, eles eram vistos nadando a um ou dois metros de profundidade, especialmente à noite.

Com a população praticamente dizimada, o mangona sumiu das praias catarinenses. Mas outros tubarões costumam dar o ar da graça com mais frequência – entre as espécies costeiras mais comuns estão o tubarão-anjo, o cação cola-fina, o cação-bagre e o cação bico-doce.

Vez ou outra, espécimes raros também aparecem. Em 2019, por exemplo, um anequim, conhecido como o tubarão mais rápido do mundo, surgiu na praia em Itapema.

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