Suspeito de estuprar menina de 9 anos é morto por linchamento em Tramandaí (RS)

Local onde a criança foi mantida como refém (Foto: Brigada Militar)

Local onde a criança foi mantida como refém (Foto: Brigada Militar)

27/02/2025 - 04h07

O efetivo do 2º Batalhão de Choque (BPChq) resgatou, na manhã desta quarta-feira (26), uma menina de 9 anos que havia sido raptada em Tramandaí, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. A criança foi encontrada dentro de um alçapão, em uma loja de conveniência, e relatou ter sofrido abusos. Um homem de 61 anos, tido como suspeito, foi linchado e acabou morrendo.

A criança era procurada desde a tarde de terça-feira (25). De acordo com a Brigada Militar, ela sumiu enquanto brincava sozinha em uma praça na rua São Marcos, no bairro Parque dos Presidentes, por volta das 16h.

Ao anoitecer, a mãe da criança registrou um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento. Além disso, os vizinhos espalharam cartazes pelo bairro e circularam com um carro de som que chamava pelo nome dela, mas não houve resultados.

O pai da criança chegou a ir ao mercado onde ela era mantida refém e conversou com o suspeito. Ele relatou aos policiais que o homem não costumava chamar atenção, mas ponderou ter estranhado o som alto que havia ali e um arranhão no nariz do sujeito.

Na manhã de quarta-feira, próximo às 10h, munidos de informações do Setor de Inteligência da corporação, os policiais do Choque encontraram a vítima. Ela estava com as mãos amarradas, dentro de um calabouço, nos fundos do local. O estabelecimento próximo de onde ocorreu sequestro, seria de propriedade do suspeito.

A vítima gritou por socorro ao perceber a presença dos policiais e indicou onde era mantida. O esconderijo, no chão, estava lacrado com uma tampa de concreto, além de ter caixas de cerveja em cima.

"Era um buraco concretado. Parecia um bunker, um cativeiro, que tinha uma entrada de 50 centímetros de largura e pouco mais de um metro de profundidade, e que se estendia na horizontal. A tampa também era de concreto e ainda tinha caixas com garrafas em cima. A menina foi prontamente socorrida e passa bem”, destacou o coronel Artur Marques de Barcellos, O comandante do Comando Regional de Polícia Ostensiva do Litoral (CRPO Litoral).

As informações da BM dão conta que o sequestrador teria oferecido um picolé para atrair a vítima ao cativeiro. Quando a criança entrou no local, foi trancada na armadilha.

O coronel Artur Marques de Barcellos explica que o resgate ocorreu a partir de relatos colhidos na vizinhança, denúncias via 190 e análise de imagens de câmeras de monitoramento. Ainda segundo o oficial, os PMs foram ao lugar indicado para questionar o suspeito. Durante a abordagem, ouviram os pedidos de socorro da vítima.

"Uma equipe da Operação Golfinho, com policiais militares do Choque e do Setor de Inteligência, foi ao estabelecimento para conversar com o proprietário. Enquanto eles faziam a interação, ouviram os chamados de socorro da vítima e iniciaram as buscas ali”, detalhou o comandante do CRPO Litoral.

Dezenas de pessoas participaram de um protesto em frente ao armazém. A população, no auge da fúria, invadiu o lugar enquanto a ocorrência ainda estava em andamento e passou a agredir o sequestrador. Ele foi atingido por chutes, socos, garrafas, tijolos e pedras.

Os PMs, forçados por dever constitucional a impedir o linchamento, tentaram conter o tumulto com bombas de efeito moral, balas de borracha e gás lacrimogéneo. Um policial foi atingido por uma garrafa e teve ferimentos no braço.

O suspeito chegou a ser socorrido ainda com vida, mas morreu enquanto era atendido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A ficha criminal dele acumulava registros por feminicídio, tráfico de drogas, furto a veículo, crueldade contra animais e lesão corporal.

 


  • por
  • Jornal Regional
  • FONTE
  • GZH



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