Secretária de Saúde e coordenador do Comitê de Crise falam sobre ações de combate à pandemia
Medidas restritivas, vacinação e volta às aulas foram uns dos assuntos abordados.

03/03/2021 - 12h02

Atendendo a convocação da Câmara Municipal de Vereadores, a secretária municipal de Saúde, Geni Girelli, e o coordenador do Comitê de Crise da Covid-19, Maurício Piacentini, participaram da sessão ordinária desta terça-feira (2), para falar de ações de combate ao coronavírus em São Miguel do Oeste.

A participação dos representantes da área da saúde ocorreu após requerimento de Maria Tereza Capra (PT), Carlos Agostini (MDB), Cris Zanatta (PSDB), Gilmar Baldissera (PP) e Nini Scharnoski (PL), que convocaram Geni Girelli; e requerimento de Carlos Agostini, que convocou Maurício Piacentini.

Geni Girelli explicou como funciona a distribuição das vacinas, que são encaminhadas pelo Governo Federal ao Governo Estadual, que distribui aos municípios; que o município cumpre o Plano Nacional de Vacinação, o Plano Estadual de Vacinação e as demais normativas. Geni explicou que a São Miguel coube decidir como operacionalizar a vacinação contra a covid-19. “Escolhemos a Praça Walnir Bottaro Daniel por ser amplo, ter espaço e permitir um fluxo de pessoas”, ressaltou.

“O público prioritário que o Plano Nacional coloca são os trabalhadores na área da saúde e os idosos. Qual o quantitativo desse público? No levantamento que fizemos, estima-se que trabalhadores na área da saúde são em torno de 2 mil”, afirmou a secretária de Saúde, ressaltando ainda que os idosos acima de 60 anos são em torno de 5.600. Ela explanou sobre as doses já aplicadas da vacina na população. “Os profissionais que trabalham no Hospital Regional estão com cobertura vacinal em torno de 90%. Samu, UPA, Centro de Triagem, estão com 100% de cobertura”, citou.

Geni falou sobre as ações tomadas durante a pandemia, como a criação de protocolos de atendimento e a abertura do Centro de Triagem. Ela citou a reestruturação do atendimento da Secretaria Municipal de Saúde, como exemplo a UPA, que atende um fluxo de pacientes com sintomas de covid-19 e outro fluxo de pacientes para outras doenças. Mencionou os dados dos boletins epidemiológicos, apresentados diariamente; da edição de decretos com medidas restritivas (até o momento foram editados 45 decretos, 13 portarias e 2 editais), entre outras ações de combate ao coronavírus tomadas pelos órgãos municipais.

PROTOCOLOS DE ATENDIMENTO

O coordenador do Comitê de Crise, Maurício Piacentini, explicou que os atendimentos são regulados por protocolos, que são os mesmos em São Miguel e em outras cidades do país. São emitidos pela Anvisa, com base em critérios técnicos, e em alguns casos adaptados à realidade do estado pelas Secretarias Estaduais de Saúde. “Seguimos criteriosamente estes protocolos, seja para o afastamento de casos sintomáticos respiratórios, de pacientes com diagnóstico confirmado, ou na implementação do tratamento para casos suspeitos e confirmados. Os protocolos servem para unidade nesses tratamentos, e para que o seguimento tenha desfecho comum”, explicou o médico.

Em relação à rede de atendimento, explicou que esta começa na atenção básica. “As unidades básicas de saúde são a porta de entrada no SUS. No caso da covid-19, por ser contagiosa, São Miguel do Oeste foi pioneira na região em abrir um Centro de Triagem sintomático-respiratória, justamente para que estas pessoas não tenham contato com outros pacientes com outras patologias diversas. As pessoas sabem que diante de qualquer sintoma sugestivo de coronavírus, devem procurar o Centro de Triagem, que funciona de segunda a sexta das 8h às 12h e das 13h às 17h (no salão paroquial). Fora desse período a UPA 24h é referência, em que sua dinâmica de atendimento é modificada, justamente para evitar o contato de pacientes com sintomas respiratórios com outros pacientes. O Hospital Regional também segue o mesmo protocolo”, explicou o coordenador do Comitê de Crise.

FORMAS LEVES E GRAVES

“A covid-19 é uma doença muito particular em relação a outras doenças virais. O coronavírus se apresenta de forma agressiva em alguns e de forma leve em outras pessoas. O nosso grande problema hoje são os leitos de UTI, em que falta no mundo todo, justamente porque a doença se comporta de forma muito agressiva. O paciente que chega ao hospital com baixa oxigenação do sangue tende a evoluir para necessidade de terapia intensiva”, acrescentou Maurício Piacentini. Ele informou ainda que a doença não tem padrão de comportamento, e citou casos de idosos que tiveram casos leves, assim como jovens que foram a óbito devido à doença.

PREVISÃO DE LOCKDOWN

Maurício Piacentini afirmou que atualmente não há previsão de lockdown (fechamento de todos os serviços), mas sim de medidas restritivas mais duras. Ele disse que pode haver algumas medidas mais restritivas “principalmente em setores em que a fiscalização identifica taxa de descumprimento às medidas sanitárias mais elevadas”. “Não há perspectiva de lockdown, mas pode acontecer; semana que vem a perspectiva pode ser outra”, ressaltou, informando que depende do cenário em que estará a doença.

O coordenador do Comitê de Crise explicou como se dão as decisões no grupo. “Nesta segunda, o Comitê de Crise se reuniu pela 32ª vez. É técnico, composto por profissionais da saúde, médicos, enfermeiro, epidemiologista, profissionais da segurança pública, de salvamento, de desastres, de assistência social, representantes da sociedade civil organizada. Antes de qualquer decisão o Comitê avalia números, perspectivas, prognósticos, gráficos de comportamento da doença”, afirmou. Ao citar que a covid-19 já existe há quase um ano e quatro meses no mundo, afirmou que “muito conhecimento foi gerado e modificado ao longo desse período. Buscamos esse conhecimento novo e aprender com os erros ocorridos em outras regiões”.

QUESTIONAMENTOS

Geni e Maurício responderam também a questionamentos de vereadores. Entre os temas perguntados, estão o número de atendimentos no Centro de Triagem, a fiscalização das medidas de distanciamento social, o repasse de recursos para ações de combate à covid-19, o atendimento a outras doenças, os encaminhamentos para realização de exames, tratamento precoce, medidas restritivas em vigor, entre outros.

“Toda pessoa que tem sintoma sugestivo do coronavírus, após a consulta médica, é imediatamente isolada para que não tenha contato com outras pessoas, pois está com carga viral elevada e pode passar o vírus para outras pessoas. Há dois testes rápidos, o do antígeno feito do 1º ao 6º dia, é o do cotonete. O segundo é o do anticorpo, do IGG e IGN, a partir do 7º dia, e quanto mais tempo se passar, melhor, porque o nível dos anticorpos vai aumentar”, explicou Maurício Piacentini. Há ainda outro teste que dá resultado com mais confiabilidade, mas é pouco utilizado pois demora mais tempo; o exame vai para o laboratório do Estado para depois retornar com o resultado.

TRATAMENTO

O coordenador do Comitê de Crise explicou que o tratamento depende da avaliação médica de cada paciente, e depende dos sintomas. Sobre o “tratamento precoce”, Maurício foi enfático em dizer que medicamentos profiláticos, para evitar o vírus, não existem. “O tratamento que existe é não se expor ao vírus, manter distanciamento”, afirmou. No momento do diagnóstico, explicou, a prerrogativa do tratamento é do médico, junto com o paciente, que juntos vão definir seu tratamento. “Estudos têm demonstrado que utilizando ou não hidroxicloroquina, o desfecho não vai mudar”, ressaltou.

Maurício contou que foi contaminado com o coronavírus em dezembro de 2020, que teve sintomas moderados. Disse que não utilizou hidroxicloroquina nem ivermectina (medicamentos citados como de “tratamento precoce”) em toda a pandemia. “Quando a gente está sentindo o problema na pele, é uma doença que nos causa muita preocupação, e a gente entende o que a população sente agora, que é uma situação grave, um momento de unirmos esforços, que é um momento de cuidar, de parcimônia, de empatia, de que a situação é delicada.”

Por fim, Piacentini destacou que São Miguel do Oeste, apesar dos 25 óbitos confirmados por covid-19, tem uma taxa de mortalidade bem menor do que outros municípios de região.

O médico explicou que casos leves são encaminhados para isolamento, uma medicação sintomática é recomendada, e no caso de agravamento, é recomendado que retorne para atendimento médico. Maurício também pediu à população que ajude a fiscalizar aglomerações, que denunciem para a Polícia Militar. “Nós não estamos na onda ainda, a onda está começando”, advertiu.

Maurício fez um apelo para cada um fazer a sua parte. Ele disse que se tivesse 300 leitos de UTI, se as pessoas continuarem não se preocupando e não se cuidando, os 300 leitos serão ocupados.

AULAS E VACINAS

Sobre a volta às aulas e a manutenção das aulas presenciais, Maurício Piacentini explicou que o retorno que tiveram das fiscalizações nas unidades escolares, foi verificado que todos estavam cumprindo os planos de contingência, e não foram verificadas irregularidades em relação às medidas sanitárias, e que o retorno às aulas se deu de forma segura.

Maurício disse que já foi indagado sobre a vacinação dos professores. “Se dependesse de nós, se possível fosse, todos seriam vacinados pra ontem. Mas infelizmente a corrida atrás de vacinas é mundial. Somos quase 8 bilhões de habitantes, e os 8 bilhões querem vacinas. Infelizmente nesse momento não foi possível a vacinação dos professores, e tão rápido quanto possível ela vai acontecer”, afirmou.

Mais uma vez o médico pediu para denunciarem irregularidades, inclusive em unidades escolares. “A orientação para órgãos fiscalizadores é que irregularidades serão penalizadas de imediato.”

A participação dos profissionais ocupou praticamente todo o espaço da sessão de terça-feira (2) e se estendeu por mais de 3h30min. O vídeo da sessão está disponível nas redes sociais da Câmara.

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  • Jornal Regional



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