O ano de 2020 chega
ao fim e a pandemia do coronavírus continua sendo, em níveis globais, a maior
preocupação de todos. No Brasil, a Covid-19 está presente desde meados de março
e as perspectivas de término, apesar das vacinas, ainda não são muito
concretas. Chega 2021 com novas promessas, mas ainda assim com novos desafios.
O mais recente deles é desvendar as causas e os efeitos das mutações genéticas
ocorridas no vírus.
Muito se falou
sobre as mutações do SARS-CoV-2 ao longo do ano. Foram várias mudanças
genéticas que o vírus sofreu desde seu surgimento em Wuhan, na China, no fim de
2019. Porém, uma descoberta recente despertou a atenção de pesquisadores. A
cepa intitulada VOC Variante SARS-CoV-2 emergente 202012/01 ou B.1.1.7 apresenta alterações que podem
potencializar a velocidade de transmissão do vírus.
A mutação iniciou
no sudeste da Inglaterra e se expandiu com facilidade pelo país, abrangendo 60%
das infecções recentes de Londres. Não se sabe ao certo o porquê desse
surgimento na Inglaterra. Por se tratar de uma mudança significativa na cepa do
vírus (de cepa rara para cepa comum), especialistas da área investigam com
urgência as características dessa mutação e da doença que ela causa.
Nelson Gaburo,
gerente geral do DB Molecular, laboratório de apoio que atua na área de
Biologia Molecular e Genética, explica que algumas mutações são
silenciosas, ou seja, não mudam o aminoácido e nem interferem na produção ou na
expressão de uma proteína essencial presente no vírus. Foi isso que aconteceu
com as primeiras variações do SARS-CoV-2. “Já a nova variante, além de outras
mutações silenciosas, apresenta também a mutação na sequência do gene da
proteína Spike, a qual está associada ao reconhecimento pelo
receptor da enzima conversora da angiotensina”, explica Nelson.
Essa mudança pode
também influenciar o diagnóstico molecular. “Alguns kits de teste molecular têm como alvo somente o
gene S, o que impactaria a sensibilidade de detecção,
podendo gerar resultados falsos-positivos. Por isso, é importante a detecção de
mais de um alvo, como sequências dos genes N (proteína do
nucleocapsídeo) e E (proteína de envelope)”,
complementa. Assim, com a checagem de outros genes, os índices de erros nos
exames são praticamente nulos.
O que muda com a nova mutação?
Algumas implicações
estão sendo relatadas sobre essa mutação, como a capacidade de se espalhar mais
rapidamente em humanos, por exemplo. “O que acontece é que a nova mutação,
designada N501Y, confere ao vírus uma ligação mais forte ao receptor da enzima
conversora de angiotensina 2 (ACE2) humana. Isso facilita a entrada do vírus na
célula humana”, explica Nelson.
Outra implicação
seria em relação às vacinas já existentes e às em desenvolvimento. Nelson
afirma que é provável que essa mutação não seja suficiente para impactar a
eficácia das vacinas, mas que todos os esforços estão voltados para mais
esclarecimentos nesse campo.
Apesar das
preocupações com a nova variante do SARS-CoV-2, ainda não há evidências de que
a nova mutação possa trazer aspectos mais agressivos à Covid-19. “A comunidade
científica investiga a patogenicidade bem como os aspectos epidemiológicos. O
importante é reforçar os cuidados já falados desde o início da pandemia:
distanciamento social; lavagem constante das mãos e uso de máscara”, completa o
especialista.
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