Vinte e sete anos depois, Inter pode ser bi da Copa do Brasil

Inter depende dos gols de Guerrero para reverter a vantagem que é do Athlético

Inter depende dos gols de Guerrero para reverter a vantagem que é do Athlético

18/09/2019 - 06h25

Das 31 vitórias do Inter em 2019, nenhuma chegará perto da importância de um triunfo sobre o Athletico-PR na decisão da Copa do Brasil. Afora a obviedade da sentença acima, uma possível conquista de título, a partir das 21h30min, em um Beira-Rio para 50 mil torcedores, com provável quebra de recorde de público, estará carregada de simbolismos. 

Ganhar a Copa do Brasil significa retomar os grandes títulos depois de passar pela humilhação da Segunda Divisão, e dar ao estádio renascido em 2014 a sua primeira grande taça. Representa se reerguer e voltar a conviver com a elite, não apenas disputar os mesmos campeonatos e torneios que os gigantes do país jogam. 

É sobre ser protagonista, uma vez mais, e não apenas um participante. E, sobretudo, é construir uma ponte de 27 anos que separam os colorados de seu mais recente título brasileiro, dando a uma geração que já viu o Inter campeão mundial e da Libertadores uma conquista nacional. Além disso, vencer o Athletico-PR esta noite vale R$ 52 milhões em prêmios mais a vaga direta à Libertadores de 2020. 

Mas, para que tudo isso se realize em campo, o time de Odair Hellmann precisará superar o Athletico por pelo menos dois gols. Ou vencer por um gol de diferença decidindo nos pênaltis — e, possivelmente, provocando severos abalos emocionais nos torcedores. A derrota por 1 a 0 para os paranaenses, em tempos de fim do saldo qualificado, obriga Paolo Guerrero e seus companheiros a construírem um escore superior a um gol para que a decisão se encerre a favor do Inter em 90 minutos.

A final da Copa do Brasil será especial para D'Alessandro. O camisa 10 se tornou o grande drama colorado para a decisão. Um desconforto na coxa direita, em meio ao treino dos titulares na manhã desse domingo — enquanto os reservas batiam um outro Atlético, o mineiro, por 3 a 1, em Belo Horizonte, fez do argentino um mistério para o jogo. 

Com dois treinos fechados antes da partida, a presença de D'Alessandro como titular passa a ser incógnita. Ainda em Minas Gerais, após o jogo pelo Brasileirão, o técnico Odair Hellmann assegurou que o meia jogará. A final é emblemática para D'Ale por ser, possivelmente, o fechamento com chave de ouro de sua carreira. Do retorno em 2017 para disputar a Série B à conquista da Copa do Brasil, a trajetória colorada do argentino valeria um filme. 

Mas, e se D'Alessandro não tiver condições de jogo? Ou ao menos de não conseguir atuar por 90 minutos? Em 2019, em momentos de ausência do camisa 10, o técnico Odair Hellmann já utilizou Rafael Sobis, Nonato e até Martín Sarrafiore na função. Mas, nunca, Wellignton Silva. Assim, caso D'Alessandro não tenha condições de começar a final, tudo indica Sobis (com toda a sua mística junto ao torcedor colorado) como o escolhido. Porém, é uma final, com o Inter necessitando de gols, e Wellington está descansado, ficou em Porto Alegre, enquanto que Rafael Sobis jogou por 75 minutos na Arena Independência. 

Sem Rodrigo Dourado, que não atua desde 10 de julho, e que segue sem previsão de retorno, D'Alessandro voltou a ser capitão do time. Em sua eventual ausência, a braçadeira é do goleiro Marcelo Lomba. Caso o Inter seja campeão, com D'Alessandro em campo, ele se tornará o primeiro jogador estrangeiro a erguer o troféu da Copa do Brasil — e certamente chamará Dourado ao palco para ajudá-lo na tarefa.

— Pelo que vejo no semblante de todo mundo, todos estão com muita vontade, muita ansiedade para que chegue logo. Como dizem aqui: com a faca entre os dentes. É uma revanche também, não queríamos ter perdido lá e aqui em casa temos a oportunidade de virar. Essa é a única coisa que a gente quer. Estamos muito ansiosos, muito confiantes e com muita vontade — ressaltou Guerrero.

Titular quase por acaso, Rodrigo Lindoso se tornou um dos jogadores mais importantes do time ao substituir o capitão Dourado. Para ele, a experiência do elenco colorado, formado por jogadores campeões mundiais, campeões olímpicos, campeões continentais, e até campeões olímpicos, poderá fazer a diferença na decisão: 

— Vamos aprendendo a controlar a ansiedade, já participei de algumas finais e jogos importantes. Não podemos deixar atrapalhar, somos profissionais e temos de controlar isso. O horário do jogo vai chegar, então não precisamos pular etapas, temos de estar focados no trabalho diário e com a cabeça boa. Temos de pensar no que nos trouxe até aqui.   

O Inter joga esta noite para reencontrar a sua história. Joga por Carlitos, por Bodinho, por Tesourinha, por Teté e por Larry. Joga por Manga, por Carpegiani, por Falcão, por Valdomiro, por Mário Sérgio, por Minelli e por Ênio. 

Joga por Gato Fernandes, por Pinga, por Gérson, por Célio Silva, por Caíco e Lopes. Joga por Fernandão, por Gabiru, por Iarley, por Alex, por Bolívar, por Índio e por Abel. Joga por Kléber, por Tinga, por Eller, por Sobis e Leandro Damião. O Inter joga pela sua redenção. 


  • por
  • Jornal Regional
  • FONTE
  • Rádio Gaucha/ZH



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