Confira o Top 10 das cidades de SC que mais poluem na agropecuária; Tem município da região nele

16/04/2021 - 09h18

As emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) na atmosfera tem a participação de outras atividades além da indústria. Em Santa Catarina, a agropecuária corresponde a cerca de 36% das emissões, conforme dados da organização Observatório do Clima. Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, lidera o ranking das cidades que mais poluem no setor.

Dentro deste setor, a pecuária é a maior fonte de metano e corresponde a 55% das emissões no Estado. Concórdia lidera a lista, devido à grande produção de suínos e bovinos. Em seguida, aparecem Campos Novos, no Planalto Sul, e Braço do Norte, no Sul do Estado.

Já no ranking dos menores emissores no setor estão os municípios localizados na região litorânea, como Balneário Camboriú, Bombinhas e Balneário Barra do Sul. 

Os 10 municípios de SC mais poluentes na agropecuária: 

1° - Concórdia: 315.785 CO2e

2° - Campos Novos: 220.311 CO2e

3° - Braço do Norte: 189.017 CO2e

4° - Palmitos: 183.485CO2e

5° - Lages: 167.869 CO2e

6° - Água Doce: 164.576 CO2e

7° - Itapiranga: 162.223 CO2e

8° - Seara: 161.813 CO2e

9° - Videira: 158913 CO2e

10° - Abelardo Luz: 151.041 CO2e 

O estudo inédito, dedicado às emissões dos municípios brasileiros entre 2000 e 2018, avaliou valores relacionados aos setores de Energia (54,42%), Agropecuária (36,37%), Mudança do uso da Terra e Floresta (0,35%) e Resíduos (8,86%).    

Ao levar em consideração todos os setores, Capivari de Baixo é o maior emissor de Gases de Efeito Estufa no Estado, devido ao conjunto de termelétricas a carvão do complexo Jorge Lacerda.

Já José Boiteux é o município que mais remove gases estufa das atmosfera em Santa Catarina, principalmente pelas áreas florestais protegidas e pela manutenção de floresta secundária.

Aumento de emissão de gases gera alerta 

O especialista em Geoprocessamento e Ordenamento Ambiental da Epagri, Denilson Dortzbach explica que agropecuária tem um papel fundamental na economia catarinense, portanto a emissão de GEEs no setor está diretamente relacionada aos municípios com maior produção.  

Nas atividades agropecuárias, a mata  é substituída por pasto ou plantações, ou seja, passa-se a emitir GEEs ao invés de absorver. Para que os danos ao meio ambiente sejam menores e ao mesmo tempo, a economia não seja afetada, Denilson explica é necessário investir  em maneiras mais sustentáveis de produzir alimentos.  

— Algumas tecnologias podem ser adotadas, como sistema plantio direto, recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta, fixação biológica de nitrogênio, florestas plantadas e sistemas agroflorestais, bem como manejo de dejetos animais. Além disso, também podem ser usados aditivos para ração que reduzem a fermentação entérica [para diminuir os gases emitidos pelos animais ruminantes] — explica o especialista. 

A pesquisadora da UFSC, Regina Rodrigues, lembra que no início do mês de abril, o planeta atingiu a marca recorde de concentração global de CO2 na atmosfera, de de 420 partes por milhões, chegando cada vez mais perto de dobrar a concentração que havia desde antes da revolução industrial. Isso significa que a Terra poderá chegar a uma temperatura média entre 2.6 e 4.1°C.  

— Vários estudos mostram que não devemos passar de 2°C, porque se isso acontecer, teremos extremos climáticos. Secas mais intensas, períodos de estiagem mais longos, ao mesmo tempo que teremos chuvas mais intensas em curtos espaços de tempo. Isso aumenta a escassez de água, afetando de maneira negativa a agropecuária e a economia.  Isso também afeta a biodiversidade que é importantíssima para manter um equilíbrio ecológico, e assim mais pragas e doenças afetarão a lavoura e os animais. Estamos dando um tiro no pé — declara.

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  • Jornal Regional



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