Conheça o plano de SC para vacinar a população contra a Covid-19

04/12/2020 - 19h42

São mais de 3.800 mortos e 383 mil casos confirmados de Covid-19 em Santa Catarina. Mesmo com as restrições adotadas, o vírus se alastra de forma rápida. A curva ascendente de contaminação amplia a ânsia pelo antídoto que vai aliviar os males da pandemia: a tão aguardada chegada da vacina.

Enquanto o Governo Federal define as diretrizes para a vacinação, os estados preparam a logística para imunizar a população. Em Santa Catarina, os insumos já foram adquiridos e a Secretaria Estadual de Saúde avalia ampliar a rede de frios para poder receber vacinas que exijam temperaturas de ultracongeladores.

O Estado ainda aguarda orientação do Governo Federal se os recuperados da Covid-19 serão considerados imunizados e descartados do plano de vacinação. Também estuda a possibilidade de comprar doses extras de vacinas, caso as que forem fornecidas pelo Ministério da Saúde não sejam suficientes.

Definição de quem será vacinado no Estado

O Governo Federal ainda não lançou o plano nacional de imunização, mas divulgou as quatro fases da vacinação conforme os grupos que devem ser priorizados.

Conforme Motta, ainda é preciso decidir se as pessoas que já contraíram o vírus no Estado também serão vacinadas. Em princípio, essas pessoas já teriam produzido anticorpos para o coronavírus, no entanto, há registro de casos de reinfecção.

“Nós temos 7 milhões e 200 mil habitantes em Santa Catarina e hoje nós temos quase 400 mil casos confirmados. Isso numa conta que é trazida na estatística da área médica, nós temos que multiplicar esse número por 10. Oito pelo menos. Em tese, nós temos a metade da população catarinense já positivada pela Covid, e é isso que vai determinar o quantitativo de doses iniciais. Se vamos vacinar todos ou se vamos vacinar apenas aqueles que não positivaram ainda para Covid. A partir daí se determina o quantitativo”.

Conforme o anúncio do Governo Federal, idosos, pessoas com comorbidades, profissionais da saúde e presos serão priorizados. “Esses têm a prioridade. Mas vai definir se a vacina vai ser utilizada para aquele que também já é positivo ou não. Se for também pra quem já é positivo, o número é maior. Nós somos então 7 milhões e 200 mil pessoas, e provavelmente teremos que vacinar num primeiro momento um terço da população”.

Quantidade de doses e logística de pessoal, transporte e armazenamento

Milhões de doses de vacinas são aplicadas na população catarinense todos os anos. São mais de 20 vacinas que possuem uma logística própria de produção, armazenamento e distribuição. A chegada da vacina contra a Covid-19 vai demandar uma logística nova.

Enquanto as outras vacinas que já são aplicadas no Estado são disponibilizadas para faixas etárias específicas e grupos menores, no caso da vacina da Covid-19, todas as faixas etárias são elegíveis para a vacinação. A imunização vai demandar uma quantidade maior do que a usual.

Após a aprovação da vacina, o Governo Federal terá que administrar junto aos Estados e municípios a logística de armazenagem e transporte.

As vacinas da demanda habitual costumam chegar por via terrestre e ficam num depósito central, para depois serem distribuídas para as regionais e os municípios. A tendência é que a vacina da Covid-19 siga o mesmo modelo.

“Essa é a lógica também para o Covid-19. Essa é uma vacina que provavelmente só vai poder ser transportada via terrestre, principalmente se forem vacinas que necessitem de temperatura negativa muito grande. Porque se utiliza nitrogênio líquido para fazer o congelamento e não se pode colocar, por exemplo, em avião, nitrogênio líquido. Por uma questão de segurança”, diz Motta.

Outro desafio é o gerenciamento do pessoal do serviço médico para atender a demanda de vacinação da Covid-19.

“Nós estamos planejando essa logística. Entendendo quantas são as salas de vacinação espalhadas pelo Estado, se há a necessidade de acréscimo, entendendo quais são as equipes que estão treinadas para a vacinação. E também entendendo se há necessidade de aumentar esse RH, de aumentar o treinamento desse pessoal”, diz Motta.

Ultracongeladores são adquiridos para vacinas

Das quatro vacinas em tratativas no Brasil, três podem ser mantidas em temperaturas compatíveis com as das vacinas já existentes no país. Apenas a americana Pfizer exige ultracongeladores que os estados não dispõem e que já estão sendo demandados no mundo.

No início de novembro, as ações na Bolsa de Valores da maior empresa fabricante de congeladores subiram com a notícia de que a Pfizer concluiu os testes e fez pedido de liberação emergencial para vacinar a população norte-americana.

No Brasil, a Abimed (Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde) alertou que os estados não estão fazendo as encomendas e que a indústria pode não conseguir fabricar os insumos a tempo.

“Não recebemos pedido dos estados. Pedidos em grande quantidades é necessário tempo”, diz Fernando Silveira Filho, presidente da entidade.

Em Santa Catarina, três ultracongeladores para temperaturas de até – 86°C estão sendo adquiridos para o Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública) com o custo total de R$ 157.200.

“A gente precisa melhorar (a rede de frios). Já é uma rede que carecia de uma melhor estrutura. Nós estamos, sim, estruturando uma rede de frios mais adequada”, diz.

“Claro que a prioridade se for o caso, se nós tivermos opção, se o Ministério da Saúde nos der a opção, vamos tentar utilizar vacinas que se adaptam melhor ao país tropical como o Brasil. Vacinas que possam utilizar de refrigeração temperaturas menos agressivas como essas, mas dependendo da forma, nós estamos preparando também a rede de frios para essa possibilidade”, diz Motta.

“É uma dificuldade nossa como é de todos, né. Fazer a aquisição nesse momento em função do mercado fornecedor, que o mercado aumenta seus preços, diminui seus estoques. Mas nós já estamos adquirindo. Apesar do Ministério da Saúde estar garantindo também o fornecimento desses insumos”.

A corrida pela imunização: quatro vacinas estão sob a análise da Anvisa

Mais de 200 vacinas estão em desenvolvimento no mundo, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde). Do total, 11 estão na fase 3, que é o estágio final de testes – a fase “confirmatória”.

“Ela confirma se essas vacinas são realmente seguras. Ou seja, quais são os eventos adversos que podem ocorrer, quais são os riscos, e também é a fase que mostra a eficácia”, diz o gerente-geral de medicamentos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Gustavo Mendes.

A urgência pela vacina fez a Anvisa mudar o processo de análise para garantir celeridade. “A quantidade de dados necessários para avaliação é muito grande. O que a gente fez para agilizar? A gente passou a permitir que as empresas mandem de maneira fragmentada,” diz Mendes.

A inovação administrativa instaurada na pandemia recebeu o nome de ‘submissão contínua’. “Ao invés de mandar tudo, as dez mil páginas que compõem o dossiê, elas podem ir mandando pequenos pacotes com grupos de dados”. Quando as empresas enviarem a parte final dos estudos, a aprovação pode sair em até 20 dias. O prazo anterior era de 60 dias.

A complexidade do processo de produção da vacina levou agentes da Anvisa até a China para checar a adequação do modelo de produção da Coronavac ao Brasil. O trabalho começou nesta segunda-feira (30).

“A gente precisa saber se as condições em que ela vai ser fabricada são condições adequadas. Isso por que vários lotes vão ser produzidos. São milhares, milhões de doses necessárias para atender toda população e essas doses vão ter que ser fabricadas nas mesmas condições de qualidade”, diz Mendes.

Diferente de outros estados que firmaram acordos com desenvolvedores das vacinas (veja o quadro abaixo), Santa Catarina não assinou protocolo de intenções com laboratórios e aguarda o Ministério da Saúde.

Sob gestão de Daniela Reinehr (sem partido), a Secretaria Estadual da Saúde havia adotado alinhamento ao Governo Federal “A gente tem acompanhado muito de perto isso para seguir os protocolos nacionais”, disse a vice-governadora em entrevista a Paulo Alceu no ND Notícias no final de novembro.

Na semana passada, quando retornou ao cargo, Carlos Moisés (PSL) disse que irá realinhar as ações, mas não tratou sobre mudança na condução do processo da vacina.

André Motta reiterou o alinhamento ao Governo Federal. “Na verdade isso não faz sentido. A gente tem programa nacional de imunização e só faz sentido imunizar o país inteiro ao mesmo tempo contra o mesmo agravo, fazer movimentos individuais é muito perigoso. A gente pode aí vacinar uma parte pequena da população e o efeito sobre a doença é mínimo. Há uma necessidade de alinhamento com o Governo Federal”.

Apesar da posição, a possibilidade de comprar estoques extras da vacina não é descartada. Inclusive há reservas financeiras para esse fim. E também é cogitada a parceria com empresas com foco em estudos e tecnologia.

“A gente pode fazer encomenda tecnológica, trazer estudos para dentro do Estado, oferecer a logística do Estado e a nossa expertise para que se desenvolvam então estudos no Estado. Mas não faz sentido fazer carta de intenções ou alguns acordos individuais, porque o resultado disso, o risco do resultado não atingir o objetivo, é muito grande”.

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