A reforma
tributária é apontada pelo setor produtivo como uma das principais propostas
sob análise no parlamento do país, capaz de contribuir para o desenvolvimento
da economia, na criação de empregos, nos estados e municípios. As propostas
apresentadas na comissão mista do Congresso Nacional podem modernizar as
dinâmicas de cobranças dos tributos federais, estaduais e municipais, diminuir
a burocracia, a guerra fiscal entre os entes da federação e, além disso,
auxiliar no equilíbrio do Custo Brasil.
Apesar disso, a
aprovação da reforma tributária no Congresso não será fácil e rápida. A
comissão mista responsável por elaborar as novas regras foi instalada há cerca
de um ano e, nesse período, realizou 10 audiências públicas apenas. A última
atividade do colegiado foi no dia 5 de outubro de 2020.
Nos corredores
próximos aos gabinetes do presidente da comissão, senador Roberto Rocha
(PSDB-MA), e do relator, deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), as
informações são de que as eleições municipais de outubro do ano passado, o
recesso parlamentar e os altos índices da infecção por Covid-19 no país são
motivos apontados pelos parlamentares como justificativa para o esvaziamento do
colegiado nos últimos meses.
Em algumas
oportunidades usadas para falar sobre a comissão, em 2020, Roberto Rocha
acreditava na aprovação do texto até o fim do primeiro semestre de 2021. Na
ocasião, comentou sobre a atual burocracia do sistema tributário. “Você sabe
quantas horas por ano se gasta para uma pessoa administrar uma empresa dentro
da sua responsabilidade tributária? São duas mil horas. Para as empresas brasileiras,
isso gera, no total, uma despesa de R$ 35 bilhões. O governo, por sua vez, que
é sócio dessas empresas, para arrecadar, ele gasta 1% do PIB devido a
burocracia tributária”, disse em entrevista à TV Senado.
Aguinaldo Ribeiro,
por sua vez, deve apresentar relatório influenciado pelas propostas previstas
na PEC 45/2019, discutida na Câmara dos Deputados, e da PEC 110/2019,
apresentada pelos senadores, e ainda terá de aconchegar as sugestões
encaminhadas pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes. O deputado já
demonstrou ter preocupação com a transparência do sistema de cobrança de impostos
no país.
“Hoje, você paga
por um produto sem saber quanto está embutido de imposto nele. Uma das grandes
insatisfações do cidadão é pagar muito imposto e não ter retorno. [Com a
reforma], vai ficar mais claro para que o cidadão possa exercer o seu direito
de cobrar do poder público sobre o que paga de impostos”, afirmou, em
entrevista nos corredores da Câmara, ainda em 2020.
Custo Brasil
Dados de um estudo
publicado pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC), e associações do setor
produtivo, apontam que as empresas brasileiras passam por dificuldades, quando
comparadas com o mesmo setor de países desenvolvidos. Os impedimentos estão
diretamente ligados ao Custo Brasil. Trata-se de um conjunto de dificuldades
estruturais, burocráticas, trabalhistas e tributárias, que travam o crescimento
da produção industrial e do comércio, impedindo o desenvolvimento sustentável
da economia do País.
A pesquisa, que foi
encomendada pelo Ministério da Economia, comparou o Brasil com membros da
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O
resultado aponta que as companhias nacionais pagam R$ 1,5 trilhão a mais para
realizarem seus negócios. Esse valor corresponde a 22% do Produto Interno Bruto
(PIB).
A complexidade e
burocracia do sistema atual contribui para elevação dos custos de fabricação
dos produtos brasileiros, cria insegurança jurídica, diminui a competitividade
do país no mercado internacional, promove a fuga de investimentos e aumenta o
Custo Brasil.
“A reforma
tributária pode contribuir para a redução do Custo Brasil. O Brasil é um País
com uma das tributações mais complexas do mundo. A reforma tributária é
extremamente importante e urgente, porque equaliza os setores em termos de
tributação. Assim, a indústria seria beneficiada com menor tributação relativa
ao que é hoje, e sabemos a importância desse setor para a geração de emprego e
inovações”, avalia Helder Ferreira Filho, especialista em economia.
Enquanto a reforma
tributária não for aprovada e o Custo Brasil continuar desfavorável, o país
perde força nas negociações internacionais e, por consequência, deixa de
lucrar, criar receitas e empregos.
“(Precisamos de)
uma reforma tributária que simplifique o processo de apuração e recolhimento de
impostos e que isente o investimento e a exportação, vai reduzir o Custo Brasil
e, por tanto, ela vai ajudar na competitividade das empresas brasileiras”,
acredita André Rebelo, diretor de Economia e Estratégia, da Federação das
Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp).
Rebelo lembra que
as medidas previstas na reforma tributária também precisam modernizar o sistema
de arrecadação nos estados, por meio de novas regras para o Imposto Sobre a
Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS, e acabar com a guerra fiscal.
“Tudo isso vale
para o ICMS. Mas, a parte estadual ainda precisa resolver outro agravante que é
a chamada guerra fiscal”, completa.
ICMS em Santa Catarina
Entre janeiro e
fevereiro de 2021, Santa Catarina arrecadou mais de R$ 5,5 bilhões de Imposto
sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). No mesmo período de 2020, o
total arrecadado foi de pouco mais de R$ 5 bilhões.
Entre 2019 e 2020,
a arrecadação do ICMS no estado teve saldo negativo de 1.2%. Em 2019, Santa
Catarina arrecadou R$ 27.4 bilhões. No ano seguinte, a arrecadação com o ICMS
foi de R$ 27.1 bilhões. Os dados são do Conselho Nacional de Política
Fazendária (CONFAZ), do Ministério da Economia.
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